Sérgio Janikian, pré-candidato à presidência do Corinthians, afirmou que uma intervenção judicial não resolveria os problemas estruturais do clube e criticou a adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). As eleições estão previstas para 28 de novembro.
Conselheiro do Corinthians, Janikian avaliou que a entrada de um interventor não eliminaria as dívidas, os atrasos na folha de pagamento, as despesas e os compromissos da instituição. Na visão dele, a medida apenas mudaria a forma de administração do clube, que passaria a seguir determinações judiciais.
O pré-candidato disse que esse cenário poderia deixar o cotidiano do Corinthians mais rígido e criar problemas adicionais. Para ele, a intervenção não seria uma solução prudente para a situação enfrentada pela instituição.
Críticas ao modelo de SAF
Janikian afirmou ter ressalvas à SAF, modelo criado para transformar clubes de futebol em empresas com aportes da iniciativa privada. Ele disse não identificar, no futebol brasileiro, um projeto que tenha alcançado resultado suficiente para servir de referência.
Apesar da situação econômica difícil, o pré-candidato afirmou que o Corinthians mantém capacidade de arrecadação. Segundo ele, o clube tem receita de quase R$ 1 bilhão por ano e não se enquadra entre as instituições que, em sua avaliação, mais precisariam de uma SAF.
Janikian defendeu a permanência do modelo associativo e atribuiu os problemas do Corinthians à condução administrativa. Ele classificou o triênio em andamento como o pior da história do clube desde a fundação, citando dificuldades econômicas, financeiras e políticas.
Para o pré-candidato, a troca das pessoas responsáveis pela gestão seria mais adequada do que uma mudança de modelo. Ele defendeu uma administração responsável, transparente e com redução radical das despesas, além de novas receitas e mudanças na estrutura de poder do clube.
Questionamentos sobre a SAFiel
Janikian também afirmou ter tido pouco contato com o projeto SAFiel e disse não considerar adequado o modelo apresentado pelo grupo. Segundo ele, a proposta prevê a tomada de posse do clube para, posteriormente, vender ações ou captar recursos no mercado com o objetivo de pagar as dívidas.
Na avaliação do pré-candidato, uma SAF deveria começar com aporte financeiro imediato para sanar a situação do clube ou fazer frente às despesas. Ele questionou quanto tempo seria necessário para a capitalização e se os recursos previstos pela proposta realmente seriam arrecadados.
Janikian comparou a SAFiel à campanha Doe Arena Corinthians, que arrecadou R$ 42 milhões da torcida para ajudar na quitação da Neo Química Arena. Embora tenha considerado a iniciativa positiva, afirmou que o valor ficou distante do objetivo e demonstrou dúvidas sobre a capacidade da SAFiel de reunir os recursos necessários.
O pré-candidato também relacionou o apoio de parte da torcida à SAFiel à insatisfação com o momento do Corinthians. Para ele, a adesão à proposta pode representar mais uma rejeição ao cenário atual do que uma concordância integral com o modelo.
Ao concluir, Janikian defendeu que a proposta seja analisada com responsabilidade antes de qualquer mudança no formato de administração do Corinthians. Ele afirmou que o modelo associativo não é perfeito, mas continua sendo, neste momento, a alternativa que considera mais adequada.








