A SAFiel propõe captar R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de chegar a R$ 3 bilhões, para transformar o Corinthians em uma Sociedade Anônima do Futebol. O projeto prevê destinar os recursos à quitação das dívidas do futebol, a investimentos esportivos, à melhoria da infraestrutura, à governança e ao fortalecimento do clube social.
A iniciativa também estabelece participação de torcedores na política do clube, com investimentos a partir de R$ 250 e limites por CPF. Investidores externos poderiam adquirir ações sem direito a voto para complementar o valor previsto.
A proposta prevê ainda a preservação do nome, dos símbolos, das cores e do escudo do Corinthians. Em caso de descumprimento de obrigações essenciais, problemas graves de gestão ou descaracterização da identidade institucional, o clube poderia acionar uma cláusula para retomar o controle do futebol.
Condição para a negociação
Apesar de manter o interesse nas tratativas, a SAFiel discordou da exigência apresentada pelo presidente do Corinthians, Osmar Stabile. Segundo a posição divulgada pelo projeto, novas discussões sobre a operação só ocorreriam depois da quitação da dívida da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal, pagamento que seria feito pela própria iniciativa.
A SAFiel afirmou que procurou o Corinthians na segunda-feira e pediu uma manifestação objetiva sobre os próximos passos. O contato ocorreu pouco mais de uma semana depois do envio das respostas às perguntas formuladas pela diretoria e pelos órgãos de governança do clube. A última reunião oficial entre as partes havia sido realizada em 26 de agosto.
Em comunicado, o grupo defendeu que a negociação seja formalizada antes do pagamento da dívida. “A SAFiel não pode aceitar essa condição”, afirmou. Para o projeto, a operação deve envolver compromissos recíprocos, aprovações institucionais, segurança jurídica e contratos vinculantes.
No fim do último mês, Stabile havia dito que assinaria um documento vinculante caso os integrantes da SAFiel apresentassem os recursos para quitar a dívida da Arena. Na segunda-feira, o grupo enviou uma carta ao presidente aceitando a proposta e solicitando uma reunião urgente com a diretoria, mas reiterou a discordância sobre a ordem das etapas.
Respostas e cronograma
Em 4 de agosto, a SAFiel encaminhou ao Corinthians respostas para 108 questionamentos apresentados pela diretoria, pelas presidências do Conselho Deliberativo, do Conselho de Orientação e do Conselho Fiscal, além de conselheiros e associados. O material tem 56 páginas.
A efetivação do projeto dependeria da aprovação dos órgãos estatutários, de uma investigação conduzida por empresa independente, de validações regulatórias e da aprovação final dos associados em Assembleia Geral.
O cronograma apresentado prevê a instalação do sistema virtual para o início das diligências 30 dias após a aceitação da proposta. A conclusão da due diligence e do valuation, por uma empresa Big Four, ocorreria 180 dias depois. O registro dos fundos e/ou ofertas na Comissão de Valores Mobiliários seria feito entre 180 e 210 dias após a aceitação.
O roadshow, o período de reservas e o anúncio dos conselheiros independentes e do CEO estão previstos para 210 dias. A aprovação da SAFiel em Assembleia Geral e a chamada de capital para integralização dos recursos ocorreriam 300 dias depois. A instalação da governança e o início das operações estão previstos para 360 dias após a aceitação.
Em sua manifestação, a SAFiel afirmou que existe uma proposta sobre a mesa, respostas entregues e disposição para negociar. O grupo também declarou que o Corinthians precisa decidir se continuará adiando as tratativas ou se avançará com compromissos formais e juridicamente vinculantes para as duas partes.









