BRASÍLIA — O celular apreendido pela Polícia Federal com o banqueiro Daniel Vorcaro registra imagens de festas e encontros com autoridades durante uma viagem a Londres, em abril de 2024. Vorcaro está preso por suspeita de fraude bancária e organização criminosa.
Entre os políticos que aparecem nas imagens estão Hugo Motta, presidente da Câmara, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria e o senador Ciro Nogueira. Mensagens também indicam que Faria ajudava Vorcaro a organizar eventos.
A viagem ocorreu durante o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, que reuniu aproximadamente quarenta autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Também participaram ministros do Supremo Tribunal Federal, integrantes do Superior Tribunal de Justiça, o diretor-geral da Polícia Federal e o procurador-geral da República.
Hospedagem e degustação de uísque
Em março, Vorcaro esteve novamente em Londres, acompanhado de Fábio Faria, do arquiteto Kiko Sobrinho e do empresário Pedro Mesquita. O grupo ficou no hotel Connaught, cujas suítes tinham diárias de 3,6 mil libras, quase R$ 25 mil pela cotação mencionada.
Após o fórum, Leonardo Serrano Giunchetti, da SL Consulting, que organizou a logística do evento, alertou Vorcaro sobre o aumento dos gastos no Hotel The Peninsula. Entre os motivos estavam upgrades em quartos de autoridades. A conta poderia chegar a 850 mil libras, cerca de R$ 6 milhões.
Giunchetti afirmou que os custos bancados por Vorcaro poderiam gerar problemas legais: “Todos esses upgrades de quartos de autoridades, etc., serão conta nossa. Isso, em teoria, por lei, não pode.” Vorcaro respondeu que o pagamento do hotel poderia causar problemas e pediu a fatura total do estabelecimento.
O banqueiro também orientou a organização de uma degustação de uísque Macallan. O evento teria custado R$ 3,3 milhões, aproximadamente R$ 145 mil por convidado. Depois, cada participante teria recebido uma garrafa avaliada em 1,8 mil libras, cerca de R$ 12,4 mil.
A defesa de Vorcaro disse não reconhecer as mensagens e gravações e afirmou que repudia a manipulação de conteúdo supostamente extraído do celular pessoal do banqueiro.








