O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello afirmou que a Corte não pode ser afetada por suspeitas relacionadas a condutas individuais de seus integrantes. As declarações ocorrem em meio à pressão sobre Alexandre de Moraes e à possibilidade de ele chefiar o STF em 2027.
Celso de Mello disse que uma moção assinada por ele e outros 12 ex-ministros, entregue ao atual presidente do Supremo, Edson Fachin, não trata de um episódio específico. Segundo o ex-decano, o documento mantém distância em relação aos casos que provocaram perda de confiança na integridade, na imparcialidade e na independência dos ministros.
“Não há espaço para sombras”, afirmou Celso de Mello. Ele também declarou que eventuais condutas ilícitas ou comportamentos eticamente censuráveis não devem lançar suspeitas sobre a instituição.
A manifestação ocorre após mensagens atribuídas ao banqueiro Vorcaro e dirigidas a Moraes. Nas conversas, Vorcaro teria pedido ao ministro que interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tentar interromper investigações sobre negócios fraudulentos do Banco Master. As mensagens também mencionariam uma possível saída do banqueiro do país antes de sua prisão.
Ex-presidente do STF entre 1997-1999, Celso de Mello afirmou que integrantes da Corte devem se submeter ao escrutínio público, independentemente do cargo ocupado. Para ele, a confiança na instituição é afetada quando um ministro compromete a própria integridade.
“Nenhuma autoridade está acima da lei”, disse o ex-ministro. Ele acrescentou que o Supremo é maior do que cada um de seus integrantes e não deve ser usado como proteção para desvios individuais. Também defendeu que a Justiça seja exercida sob os olhos da população, porque o segredo sem justificativa alimenta a desconfiança e compromete a credibilidade do Judiciário.








