SÃO PAULO — Um confronto entre manifestantes de esquerda e participantes de um ato da direita ocorreu antes do comício de Flávio Bolsonaro na avenida Paulista, nesta segunda-feira (7). A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana intervieram na esquina das alamedas Peixoto Gomide e Alameda Santos. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram disparos de bombas de gás lacrimogêneo.
A manifestação foi convocada por lideranças bolsonaristas com o mote “Fora Lula, fora Moraes”. O senador chegou por volta das 15h e reuniu apoiadores e aliados no centro de São Paulo. Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel foram levadas ao local, assim como fotos de condenados do 8 de Janeiro, apresentados pelos manifestantes como presos políticos.
Apoio a André Mendonça
Antes do início do comício, bolsonaristas também se mobilizaram em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Ele é relator do caso Master e retirou, na terça-feira (1º), o sigilo de um relatório da Polícia Federal com diálogos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.
Em um inquérito sobre fake news, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O ministro, que é evangélico, publicou um vídeo de agradecimento às orações dos apoiadores. Gustavo Gayer (PL-GO) pediu aplausos a Mendonça durante o ato, enquanto cartazes manifestavam apoio ao magistrado.
As mensagens entre Moraes e Vorcaro foram usadas como argumento para a convocação do protesto. Discursaram no trio Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente; o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Jair Bolsonaro; e Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
Gaspar criticou Moraes e puxou o coro “fora Lula e fora Moraes”. Nunes afirmou que “Supremo é o povo brasileiro” e pediu votos para senadores da direita. Valdemar declarou que Bolsonaro ficaria preso mais 10 anos se Flávio não fosse eleito e conduziu um coro de “volta, Bolsonaro”.
Campanha e pesquisa
Republicanos, PL e PP distribuíram material de campanha no protesto, que também serviu de plataforma para candidatos a deputado. Entre os presentes estavam Marco Feliciano, Sóstenes Cavalcante, Deltan Dallagnol, Sergio Moro e Silas Malafaia. Também participaram Douglas Ruas, candidato ao Governo do Rio, Carlos Portinho e deputados federais e estaduais que concorrem à reeleição.
Flávio mantém proximidade com Vorcaro e cobrou parcelas do financiamento do filme “Dark Horse”. O ex-banqueiro teria pago quase R$ 64 milhões para a produção. O senador nega irregularidades e afirma que se trata de uma transação privada. A Polícia Federal investiga se os recursos foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Esse é o segundo grande ato público da campanha. O primeiro ocorreu na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 16 de agosto, e teve público estimado em quase 9.000 pessoas pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e pela ONG More in Common.
No Datafolha divulgado na quinta-feira (3), Luiz Inácio Lula da Silva tinha 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Augusto Cury (Avante) subiu seis pontos e chegou a 8%. A diferença entre Lula e o filho de Jair Bolsonaro caiu para cinco pontos, metade do registrado em maio.








