Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Wolff aponta estratégia dos EUA para preservar influência no Hemisfério Ocidental

Economista afirma que Washington tenta compensar a perda relativa de poder com pressão sobre países da região e foco na disputa com a China.

Wolff aponta estratégia dos EUA para preservar influência no Hemisfério Ocidental

A ascensão econômica da China e a perda relativa de espaço dos Estados Unidos estariam levando Washington a concentrar sua estratégia de influência no Hemisfério Ocidental. A avaliação é do economista Richard Wolff, em entrevista ao professor Glenn Diesen publicada no YouTube.

Wolff afirma que a ordem internacional construída depois da Segunda Guerra Mundial está se desfazendo e dificilmente será restaurada nos mesmos termos. Para ele, a mudança não depende apenas de Donald Trump: uma eventual vitória dos democratas poderia alterar métodos e programas, mas não necessariamente o objetivo de preservar a posição internacional dos Estados Unidos.

O economista considera que a política norte-americana passou a reconhecer, ainda que nem sempre de forma pública, o declínio relativo do país. Ele avaliou que o esforço para recuperar a antiga posição tem baixa probabilidade de sucesso e é marcado por medo e desorientação.

Como os Estados Unidos construíram sua influência

Na análise de Wolff, os Estados Unidos terminaram a Segunda Guerra Mundial em situação econômica e militar privilegiada. As antigas potências coloniais europeias — entre elas Reino Unido, França, Holanda, Bélgica, Itália, Espanha e Portugal — saíram enfraquecidas dos conflitos.

Washington apoiou movimentos de independência política, mas reorganizou o comércio e as finanças internacionais para aproximar as antigas áreas coloniais de sua própria economia. O dólar passou a ocupar o centro dos fluxos comerciais, financeiros e de capital, enquanto os Estados Unidos se tornaram o principal comerciante, exportador, importador e fornecedor de empréstimos, segundo o economista.

A Europa, nessa estrutura, teria permanecido vinculada a uma ordem liderada por Washington. Wolff afirma que os países europeus reconstruíram suas economias e avançaram na integração continental, mas não conseguiram romper a dependência econômica, militar e estratégica em relação aos Estados Unidos.

China amplia sua capacidade produtiva

Wolff atribui parte da transformação do equilíbrio mundial à combinação chinesa entre empresas privadas, planejamento estatal e controle político. Na avaliação dele, Pequim não adotou um compromisso rígido com o predomínio do Estado ou do setor privado, mas utilizou os dois conforme as necessidades de seu desenvolvimento.

A estratégia chinesa, segundo o economista, prioriza o avanço econômico, tecnológico e industrial. O país procuraria evitar confrontos diretos sempre que possível e fortalecer suas relações por meio de comércio, financiamento e cooperação militar.

Wolff também destacou a evolução chinesa em infraestrutura, tecnologia e propriedade imobiliária. Para ele, a divulgação desses resultados poderá influenciar a percepção internacional sobre o país e abalar a confiança dos Estados Unidos em sua própria posição.

Pressão regional e disputa por influência

É nesse contexto que o economista identifica uma nova etapa da política externa norte-americana. Em vez de tentar sustentar uma hegemonia global nas mesmas condições do passado, Washington estaria concentrando esforços em uma área regional, com pressões econômicas, políticas e militares sobre Canadá, Groenlândia, Panamá, Venezuela e Cuba.

“Eles estão começando a recuar para uma espécie de império colonial fortificado no Hemisfério Ocidental”, afirmou Wolff.

O Canadá aparece como um dos principais exemplos. O economista diz que os Estados Unidos buscariam ampliar o controle sobre a economia canadense e reduzir sua autonomia diante dos interesses de Washington. Na Groenlândia, ele prevê a combinação de ameaças militares, investimentos e incentivos econômicos para ampliar a influência norte-americana.

Para Wolff, a estratégia também é apresentada por Trump como uma reação a supostos abusos cometidos contra os Estados Unidos. O presidente, segundo essa interpretação, transformaria a antiga posição hegemônica do país em uma narrativa de vítima, na qual Washington teria sido explorado por seus parceiros.

A disputa entre republicanos e democratas, portanto, envolveria principalmente os meios usados para preservar a liderança norte-americana. Wolff sustenta que há mais continuidade do que ruptura entre os partidos na condução da política internacional.

A conclusão do economista é que os Estados Unidos ainda mantêm capacidade militar, econômica e financeira, mas enfrentam dificuldades para exercer esse poder como nas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial. A tentativa de conservar parte da influência passaria, assim, por uma esfera de atuação mais concentrada no Hemisfério Ocidental, enquanto a China aposta no desenvolvimento econômico e tecnológico.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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