Donald Trump pressionou o Federal Reserve a reduzir as taxas de juros e afirmou que os Estados Unidos podem interromper o comércio com países que mantenham déficit comercial com o país. A declaração foi publicada nesta sexta-feira (4) na Truth Social.
A ameaça veio acompanhada da defesa de juros mais baixos. Trump citou um boletim que registrou a criação de 162 mil postos de trabalho nos Estados Unidos em agosto, resultado da diferença entre contratações e demissões. Para o presidente, a força econômica do país justificaria uma taxa inferior à praticada por outras nações.
“Reduzam as taxas de juros, pois os EUA representam um crédito muito mais forte do que há pouco tempo!”, escreveu Trump. Em outra publicação, afirmou: “Baixem a taxa ou eu vou parar de fazer comércio com países com os quais temos déficit”.
O presidente também mencionou uma decisão da Suprema Corte dos EUA, tomada em fevereiro, que derrubou o tarifaço imposto por Trump em 2025. Ele disse que a decisão reconheceu o direito do presidente de adotar a interrupção comercial e classificou essa alternativa como preferível às tarifas.
Relação com o Brasil
O Brasil não seria atingido caso a medida fosse adotada, porque registra déficit na balança comercial com os Estados Unidos desde 2009.
Na reunião mais recente, realizada em julho, o Fed manteve os juros americanos entre 3,5% e 3,75%. Kevin Warsh ocupa atualmente a presidência da instituição. Ele assumiu o cargo em maio, depois de ter sua indicação aprovada pelo Senado.
Antes da nomeação de Warsh, Trump havia feito ameaças a Jerome Powell para pressioná-lo a reduzir a taxa. No ano passado, o presidente também demitiu Lisa Cook, diretora do Fed, sob a alegação de fraude hipotecária cometida antes de sua chegada à instituição. A Suprema Corte revogou a medida.
A inflação acumulada nos Estados Unidos em 12 meses chegou a 3,4% em julho. Foi o menor índice desde março, embora permanecesse acima de 3%, patamar historicamente comum no país.








