PARIS — Cerca de 800 mil pessoas acompanharam neste sábado uma missa ao ar livre celebrada pelo papa Leão na Avenida dos Champs-Élysées, no maior evento da visita do pontífice à França. A cerimônia reuniu multidões ao longo dos aproximadamente 2km entre a Place de la Concorde e o Arco do Triunfo.
Leão percorreu a avenida em um papamóvel aberto, parando com frequência para acenar e abençoar pessoas com deficiência, crianças e bebês levados por voluntários. A multidão carregava bandeiras brancas e amarelas do Vaticano e gritava “Leão, Leão” e “Viva o Papa”.
Entre os presentes estavam Brigitte Macron, esposa do presidente francês; Marine Le Pen; o primeiro-ministro Sébastien Lecornu; e Bernard Arnault, presidente do grupo francês de luxo LVMH.
Durante o sermão, o papa disse que a fé deve ser a fonte da verdadeira felicidade, em vez dos bens materiais. “Somente Deus pode preencher o vazio dentro de nós”, afirmou. Benoit Dedieu-Anglade, de 67 anos, disse que ficou impressionado com o discurso e destacou a forma como o pontífice falou sobre materialismo e distrações.
Mensagem de paz e desafios da Igreja
Os participantes começaram a chegar antes do nascer do Sol para acompanhar a missa do meio da tarde. Durante a visita, Leão também defendeu a paz e criticou a direção da liderança global. Em discurso na sede da Unesco, em Paris, alertou que a ONU e outros grupos multilaterais estavam em crise.
O pontífice voltou a pedir que o desenvolvimento da inteligência artificial seja reavaliado. Segundo ele, a tecnologia pode criar um futuro em que um “paraíso de máquinas” assuma o controle da Terra. Seus comentários sobre a guerra no Irã no início deste ano provocaram uma repreensão do presidente dos EUA, Donald Trump.
Pierre-Marie Estienne, de 36 anos, acompanhou a missa com a esposa e quatro filhos. Antes da chegada do papa, afirmou que a sociedade vive em uma era de grande materialismo e que precisava de uma mensagem de esperança e amor.
A França mantém a separação entre Igreja e Estado desde uma lei de 1905. A filiação à Igreja Católica caiu desde a Segunda Guerra Mundial. A Conferência Episcopal Francesa registrou aumento nos batismos de adultos, incluindo um recorde de 21 mil na Páscoa passada. Já o INSEE informou que 25% dos franceses entre 18 e 49 anos se identificam como católicos, ante 43% uma década antes.
Antes da missa, Leão visitou católicos recém-batizados na Universidade Católica de Paris e pediu que a Igreja francesa não fosse “ingenuamente otimista” com o aumento recente de fiéis. Mais tarde, seguirá para Lourdes, onde se encontrará no domingo com sete vítimas francesas de abuso por parte do clero.








