A União Africana classificou como histórica a aprovação, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, de uma resolução que recomenda a divulgação de mapas-múndi com proporções mais próximas do tamanho real dos países. A iniciativa recebeu 164 votos favoráveis, teve seis abstenções e foi rejeitada apenas pelos Estados Unidos nesta sexta-feira (4).
A proposta, apresentada pelo Togo, incentiva o uso de representações nas quais a África e outras áreas do Hemisfério Sul aparecem maiores, enquanto o Hemisfério Norte ocupa uma proporção menor. O texto não determina o fim da projeção de Mercator, criada em 1569 pelo cartógrafo belga Gerardus Mercator.
Entre as alternativas citadas está o Equal Earth, criado em 2018 para representar com mais precisão as dimensões dos países. A União Africana defendeu a adoção de mapas de áreas iguais em salas de aula, na mídia e em instituições internacionais.
Em comunicado publicado no X, a organização afirmou que a projeção de Mercator reduz a África ao tamanho da Groenlândia, embora o continente seja 14 vezes maior. Para o grupo, a resolução deve contribuir para que os mapas reflitam a escala, o peso e o lugar da África no mundo.
Yaryna Ferencevych, vice-representante dos Estados Unidos no Conselho Econômico e Social da ONU, havia pedido que os países rejeitassem a proposta. Em nota divulgada na véspera, ela disse que a resolução tinha teor ideológico e que a Assembleia Geral deveria tratar de temas considerados mais importantes pelos Estados Unidos.
“Em vez de focar em problemas reais de paz internacional, prosperidade ou boas relações, este órgão debate projeções cartográficas do século XVI e seu papel na promoção de reparações e da ‘justiça cognitiva’”, afirmou Ferencevych.
A representante também declarou que os Estados Unidos não consideravam a iniciativa separada de um projeto ideológico mais amplo. Para ela, resoluções desse tipo contribuem para a perda de credibilidade e legitimidade das Nações Unidas.
A votação ocorre em meio à oposição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à ONU. Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump cortou verbas para a organização e passou a exigir reformas, acusando a instituição de burocracia, atuação ideológica e falta de resposta a questões mundiais, incluindo conflitos armados.
Nesse contexto, Trump criou o Conselho da Paz para gerir a Faixa de Gaza e manter o cessar-fogo no enclave palestino após a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas. A proposta poderia ser replicada em outros conflitos, mas a iniciativa ainda não decolou.








