O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado, 12, que o Oriente Médio não precisa da atuação dos Estados Unidos como “policial regional”. A declaração ocorreu durante uma reunião com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, à margem da cúpula do Brics na Índia.
“Não precisamos de um policial regional: a integridade territorial e a segurança da região só podem ser garantidas pelos seus principais atores e pelos países que a compõem”, disse Pezeshkian.
A fala ocorre em meio à tensão envolvendo o controle do Estreito de Ormuz. A guerra já dura mais de seis meses, e o estreito continua bloqueado. Ofensivas contra navios provocaram aumento nos preços do petróleo.
Pressão antes das eleições americanas
A menos de dois meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Irã intensificou o discurso contra o governo americano. Em Teerã, alguns cartazes pedem a morte de Trump, enquanto outros mostram caixões de soldados dos Estados Unidos.
O período eleitoral é visto pelo governo iraniano como uma oportunidade para explorar o que considera uma fragilidade americana e tentar remodelar a ordem regional a seu favor. O analista Thomas Juneau, professor da Universidade de Ottawa, afirmou que o Irã acredita estar vencendo a guerra e que os Estados Unidos estão perdendo, em um momento no qual não poderiam permitir uma escalada.
Teerã também assumiu o risco de uma retomada das hostilidades em larga escala. O conflito começou em 28 de fevereiro e incluiu 40 dias de bombardeios israelenses e americanos, até a trégua de abril.
Apesar da morte de várias autoridades no início da guerra e da chegada de um novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que permanece longe dos holofotes, o Irã ampliou a estratégia de confronto com os Estados Unidos.








