Parlamentares democratas dos Estados Unidos planejam investigar possíveis conflitos de interesse envolvendo Donald Trump, familiares do presidente, financiadores e empresas beneficiadas por decisões do governo. As apurações poderão avançar se o partido conquistar o controle da Câmara dos Representantes ou do Senado nas eleições legislativas de novembro.
Com maioria em uma das Casas, os democratas teriam mais poderes para convocar audiências, emitir intimações e solicitar documentos. As comissões também poderiam ampliar suas equipes e começar os trabalhos a partir de fevereiro de 2027.
Ainda não há uma relação definitiva de pessoas ou empresas que seriam alvo das apurações. Entre os assuntos considerados estão negócios de criptomoedas ligados à família Trump e a 1789 Capital, empresa de capital de risco associada a Donald Trump Jr.
Também estão no radar relações entre o governo e empresas que contribuíram para o salão de festas de Trump, acordos conduzidos por integrantes da família presidencial e possíveis benefícios fiscais ou regulatórios para companhias dos setores de petróleo e gás.
Negócios de Kushner e empréstimo do Pentágono
O deputado Jamie Raskin pretende obter informações sobre a Affinity Partners, empresa de investimentos fundada por Jared Kushner, genro de Trump. O parlamentar questiona os vínculos da companhia com governos do Oriente Médio e possíveis conflitos relacionados a negócios feitos durante o período em que Kushner atuava como enviado presidencial. O advogado de Kushner negou as acusações e disse que os críticos não apontaram regra violada.
Raskin também demonstrou interesse pela Vulcan Elements, fabricante de ímãs de terras raras. A empresa recebeu um empréstimo de US$ 620 milhões do Pentágono meses depois de um investimento da 1789 Capital. A companhia negou ter pedido a investidores que usassem seus contatos para facilitar o financiamento.
Empresas potencialmente envolvidas já contrataram advogados e especialistas em comunicação para avaliar riscos jurídicos e de reputação. A 1789 Capital declarou que aceita fiscalização legítima, mas rejeitará iniciativas que considerar politicamente motivadas.
Entre os republicanos, não há consenso. John Curtis defendeu que sejam examinados pagamentos feitos por um oligarca russo a Donald Trump Jr. por serviços relacionados a festas de casamento. A Casa Branca rejeitou as suspeitas e Olivia Wales afirmou que os democratas preparam ações políticas para obstruir a agenda presidencial e atacar Trump sem fundamento.
As iniciativas ainda são planos, não conclusões sobre irregularidades. A realização das investigações dependerá do resultado das eleições legislativas de novembro e do controle das comissões do Congresso a partir de 2027.








