NOVA YORK — Michelle Bachelet retirou sua candidatura ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O anúncio foi feito nas redes sociais e acompanhado de uma carta de renúncia ao pleito, divulgada pela ex-presidente do Chile e primeira diretora-executiva da ONU Mulheres.
Bachelet era apoiada pelo Brasil e pelo México na tentativa de substituir António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. Na carta, ela agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à presidente do México, Claudia Sheinbaum, e ao ex-presidente chileno Gabriel Boric.
A ex-presidente afirmou que o resultado da consulta informal, conhecida como straw pall, mostrou que havia chegado o momento de abandonar a candidatura. Na votação realizada ontem, ela recebeu 11 votos de desencorajamento.
Defesa de uma mulher latino-americana
Bachelet disse que sua campanha ajudou a colocar no debate internacional a defesa de uma mulher da América Latina para comandar a ONU. Também sustentou que a próxima secretária-geral deve ser independente e comprometida com os princípios da Carta das Nações Unidas.
Na carta, datada de Santiago, 19 de setembro de 2026, ela afirmou que o multilateralismo está sob ameaça e citou conflitos, desigualdades no desenvolvimento, mudanças climáticas, governança de novas tecnologias e riscos aos direitos humanos entre os desafios enfrentados pela humanidade.
Com apoio brasileiro e mexicano, Bachelet afirmou ter visitado praticamente todos os países membros do Conselho de Segurança, participado de quatro debates internacionais e comparecido a múltiplos fóruns. Pessoas a par do processo disseram que os países apoiadores também contribuíram para a campanha por meio de seus embaixadores, que hospedaram a ex-presidente durante visitas aos países.
Bachelet declarou que continua defendendo a escolha de uma mulher latino-americana para o cargo, 80 anos após a criação da ONU. Para ela, a região reúne experiência e valores para liderar a organização.
Ao anunciar sua retirada, a ex-presidente afirmou: “Não me arrependo de ter empreendido este grande desafio.” Ela também disse que seguirá atuando na defesa da paz, da segurança, do desenvolvimento sustentável, da democracia, dos direitos humanos e do multilateralismo.








