O show do DJ Calvin Harris foi o primeiro a esgotar entre todos os dias do Rock in Rio, em um sinal do alcance conquistado pela música eletrônica no Brasil. Em 2026, o gênero chega ao Palco Mundo, depois de ampliar sua presença em festivais, arenas e outros espaços do entretenimento.
A trajetória no festival começou há 25 anos, em uma tenda alternativa do Rock in Rio 2001. Agora, o New Dance Order, palco dedicado à eletrônica, apresenta um projeto cenográfico inédito e o movimento “Dancing For A Better World”. A iniciativa reúne artistas, fãs e profissionais da indústria em torno de paz, amor, união, respeito e diversidade.
Das pistas à indústria
A música eletrônica circulava nas pistas e em cenas marginais ao mainstream nos anos 80 e 90. A partir das raves no início do século, o gênero se expandiu pelo país e ajudou a formar uma cadeia profissional com artistas, festivais e arenas. O resultado foi a consolidação de um ecossistema que continua atraindo fãs e transformou a eletrônica em uma celebração nacional.
O público também se desloca em busca de experiências associadas à cultura de pista. Fãs viajam para reencontrar sensações que a rotina não oferece, movimentando uma cadeia econômica ligada ao turismo. A prática é relacionada ainda à saúde social e ao bem-estar emocional.
Essa dimensão coletiva foi analisada pelo sociólogo francês Émile Durkheim no século 19. Para ele, a reunião de pessoas em torno de um ritual poderia produzir uma “efervescência coletiva”, quando o grupo deixa de ser apenas uma soma de indivíduos e passa a compartilhar códigos e símbolos.
A eletrônica também começou a preservar sua própria memória. O livro “O Barulho da Lua”, da jornalista Claudia Assef, conta a história do DJ Anderson Noise, enquanto outros projetos buscam registrar a trajetória da cultura. Após 25 anos de presença no Rock in Rio, a chegada ao Palco Mundo reforça esse processo de reconhecimento no país.








