Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Daniel Nolasco apresenta filme sobre Catalão no Festival de Brasília

Longa mistura autobiografia, humor e crítica à homofobia em uma estrutura dividida em prólogo, capítulos, entreato e epílogo.

Daniel Nolasco apresenta filme sobre Catalão no Festival de Brasília

O diretor Daniel Nolasco apresentou Pequenas Tragédias, longa inspirado em sua própria trajetória e na cidade de Catalão, em Goiás, onde nasceu e viveu antes de se mudar para o Rio. A produção foi exibida no Cine Brasília e recebeu longos aplausos do público durante a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Nolasco define o filme como uma obra sobre si mesmo, mas principalmente sobre Catalão, marcada no longa pelo conservadorismo e pela homofobia. A narrativa combina elementos autobiográficos, humor e cenas de relacionamentos, amizades e encontros casuais. Guilherme Théo interpreta um personagem que representa o diretor, enquanto uma voz em off conduz parte da história.

Memórias e experiências

O filme percorre lembranças da infância, os anos em que Nolasco trabalhou em um supermercado da cidade e o período posterior, quando foi demitido. O diretor tentou filmar no estabelecimento, mas não recebeu autorização. A história também incorpora experiências afetivas e cenas de sexo.

Em um momento irônico, o personagem que representa Nolasco fecha a porta de um banheiro onde um casal troca carícias e afirma: “Desculpem, mas prometi ao meu distribuidor que o filme não teria nenhuma cena de sexo”.

Nolasco, que é historiador de formação, diferencia produções LGBT que seguem convenções do cinema clássico de um cinema queer voltado à provocação e ao questionamento de padrões heteronormativos. Em Pequenas Tragédias, Catalão funciona como representação de um interior brasileiro conservador, onde a experiência de ser gay é atravessada pela intolerância e pela violência.

A produção também apresenta histórias específicas, como o encontro póstumo com um amigo soropositivo que morreu sem revelar a doença a outras pessoas. Outra personagem é Monalisa, uma travesti cuja vida permanece restrita a um pequeno quarteirão da cidade. A personagem ganha destaque ao interpretar uma canção que funciona como retrospecto de sua trajetória.

Estrutura e referências

O humor aparece ao lado dos momentos emocionais como parte da experiência cotidiana, sem funcionar apenas como alívio. A obra utiliza simetrias, imagens geométricas e uma narração em off com tom irônico. A estrutura é formada por um prólogo, cinco capítulos, um entreato e um epílogo.

Ao longo do filme, a cidade passa de um registro marcado pela ironia para uma representação de abandono, com referências ao extermínio dos indígenas que deram nome à localidade e às agressões contra homossexuais. As cenas finais mostram uma cidade semi-deserta e semi-morta, apresentada por meio de imagens estáticas.

“Fui estudar no Rio e lá fiquei. Quando voltei, descobri que todos os meus amigos ou tinham morrido ou mudado de cidade. Quem ficou, morreu”, disse Nolasco.

O diretor cita como referências a videoarte Why I Never Became a Dancer, de Tracey Emin; o texto Não podemos todos morrer na cama, de Guy Hocquenghem, sobre a morte de Pasolini; e o cinema alemão de Rosa von Praunheim e Rainer Werner Fassbinder.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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