Ian Bremmer, presidente do Eurasia Group, avalia que a maior parte dos votos da terceira via deve migrar para Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Com isso, considera muito improvável uma virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
“Acho muito improvável que haja uma virada no segundo turno porque os votos restantes da terceira via vão, em sua maioria, para o Bolsonaro”, afirmou Bremmer. Segundo o cientista político, Flávio está em torno de dois pontos porcentuais à frente de Lula.
Votos fora do segundo turno
Augusto Cury (Avante) terminou em terceiro lugar, com 2,89% dos votos, o equivalente a 3,4 milhões. Renan Santos (Missão) recebeu 2,6 milhões, ou 2,24%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) alcançou 2,18%, também com 2,6 milhões.
Bremmer considera que o resultado de Flávio, filho de Jair Bolsonaro, era parcialmente esperado porque o candidato da terceira via não avançou para a etapa final. Para ele, parte desses eleitores escolheu outro nome para evitar o desperdício do voto, e a maioria tende a se alinhar mais ao candidato do PL do que a Lula.
Relação com Trump
Questionado sobre um possível benefício político para Donald Trump, Bremmer disse que o principal vencedor é Flávio, mas que o presidente norte-americano também se beneficia. Trump, segundo ele, tem obtido êxitos na América Latina enquanto enfrenta problemas na Europa e no Oriente Médio.
Bremmer citou Chile, Peru, Colômbia, El Salvador e Honduras ao afirmar que a maioria dos líderes da região está alinhada com Trump. Também classificou o Brasil, provavelmente, como parte desse grupo e destacou o peso do país por ser a maior economia da América Latina.
Na avaliação do cientista político, os laços entre os países devem se estreitar em temas como inteligência artificial, minerais raros e segurança pública. Ele disse ainda que Trump deveria dar mais atenção à América Latina e permitir maior destaque a Marco Rubio, em vez de se distrair com a guerra no Irã e com o Kennedy Center.








