A Apple TV completa 20 anos desde a apresentação do primeiro modelo, feita por Steve Jobs em 12 de setembro de 2006. Na ocasião, o aparelho foi mostrado ao público com o nome iTV, antes de ser rebatizado para evitar disputas judiciais envolvendo a marca.
O dispositivo surgiu em um momento em que a televisão ainda era dominada por operadoras de TV a cabo e via satélite. Os computadores e o iPod já tinham acesso a serviços de mídia por meio da iTunes Store, mas faltava uma ligação eficiente entre esses ecossistemas e os televisores.
Da sincronização ao streaming
A primeira Apple TV dependia de um Mac ou PC para sincronizar fotos e outros conteúdos com o iTunes. Baseada no Mac OS X 10.4 Tiger, ela chegou com 40GB de armazenamento, 256MB de RAM e suporte a vídeo com resolução de até 720p. O controle remoto era o Apple Remote, branco e com menos botões que os controles tradicionais de televisão.
A proposta mudou em 2008, quando a Apple lançou a atualização conhecida como Take 2. A partir dela, o aparelho passou a funcionar de maneira independente de um computador. O usuário ganhou a possibilidade de alugar e comprar filmes em alta definição, baixar podcasts, assistir a vídeos no YouTube e visualizar fotos usando apenas a conexão com a internet.
Uma atualização posterior substituiu a interface Front Row por colunas horizontais de navegação. Em 2010, a Apple TV de 2ª geração trouxe uma transformação mais profunda: a arquitetura x86, baseada nos Macs, foi substituída pela arquitetura ARM, com o chip proprietário A4 no lugar do processador da Intel.
A mudança reduziu o tamanho, o peso e o ruído do equipamento. As entradas analógicas foram eliminadas e deram lugar à conexão HDMI. O aparelho passou a custar US$100 e adotou suporte a aplicativos de terceiros, incluindo a Netflix, além do AirPlay, recurso que permitia espelhar na televisão conteúdos capturados pelo iPhone.
Em março de 2012, a Apple lançou a Apple TV de 3ª geração. O modelo passou a decodificar e transmitir vídeo em 1080p, resolução Full HD, e recebeu uma interface em mosaico.
A chegada do tvOS e da App Store
A Apple TV ainda não tinha uma loja de aplicativos tradicional. Os serviços disponíveis eram escolhidos pela própria Apple, o que restringia tanto as opções para os usuários quanto as possibilidades para desenvolvedores.
Esse cenário mudou em 2015, com a Apple TV de 4ª geração, posteriormente chamada de Apple TV HD. O modelo estreou o tvOS e a App Store, aproximando a experiência do aparelho daquela oferecida pelos iPhones. Com o processador A8, a plataforma passou a receber mais aplicativos de streaming, mídia e jogos.
A Apple também tentou posicionar o dispositivo como uma plataforma para jogos casuais. A estratégia, porém, não se consolidou. Entre os obstáculos estava a exigência inicial de que os jogos tivessem suporte ao Siri Remote, controle que também recebeu críticas por seu formato, pela facilidade de quebra e pela dificuldade de identificar seus lados no escuro.
A fase 4K
Em 2017, a Apple TV 4K chegou com o chip A10X Fusion, o mesmo usado nos iPads Pro daquele período. A resolução subiu para 2160p, acompanhada de suporte a HDR 10 e ao Dolby Vision. O Siri Remote recebeu uma borda branca em relevo no botão Menu para reduzir acionamentos acidentais.
A Apple TV 4K de 2ª geração foi lançada em 2021, com o chip A12 Bionic, reprodução de conteúdos HDR a 60 quadros por segundo, HDMI 2.1 e conexão Wi-Fi 6. O controle remoto voltou a ter corpo de alumínio e ganhou um clickpad circular sensível ao toque, inspirado na Click Wheel dos iPods.
Em 2022, a Apple apresentou a Apple TV 4K de 3ª geração. O modelo adotou o chip A15 Bionic e passou a oferecer suporte ao HDR10+. O Siri Remote trocou a conexão Lightning pela USB-C. O aparelho ficou 20% menor, eliminou a ventoinha interna e passou a usar resfriamento passivo.
Próximos passos
Apesar das atualizações de chips, tecnologias e software, a evolução estrutural da Apple TV é considerada limitada desde o primeiro modelo 4K, lançado em 2017. Sistemas de televisão mais eficientes e dispositivos concorrentes com preços menores reduziram a necessidade do aparelho para parte dos consumidores.
A Apple TV mantém como principais atrativos a integração com o ecossistema da empresa, especialmente para quem utiliza produtos como os HomePods, e a qualidade de imagem. A plataforma também não se consolidou como console, mesmo após a chegada do Apple Arcade.
Rumores sobre uma próxima geração apontam para a possibilidade de suporte à Apple Intelligence e à Siri AI. A assistente poderia manter o contexto de conversas, buscar filmes com filtros combinados e encontrar produções a partir de descrições mais detalhadas.
Esse avanço dependeria de uma atualização do processador para o A17 Pro ou A19 Pro e de mais memória, permitindo executar recursos de inteligência artificial sem a necessidade de um iPhone conectado. As possíveis mudanças ainda não alteram o histórico do produto, que passou de uma central dependente de computadores a um equipamento voltado ao streaming e à integração com os demais dispositivos da Apple.








