Tony Blair defendeu que o Reino Unido estabeleça o retorno à União Europeia como uma das principais metas para a próxima década. A proposta está em um relatório publicado pelo think tank do ex-primeiro-ministro e prevê que o Partido Trabalhista trate a reaproximação como uma “pedra angular” de sua estratégia, caso o bloco aceite discutir reformas significativas.
Blair afirmou que o país deveria buscar uma relação formal com a UE, mas condicionou esse movimento à criação de uma Europa com capacidade de reforma e atuação global. “Devemos deixar claro que queremos retomar uma relação formal com a UE”, escreveu.
Brexit e possíveis reformas
O ex-premiê avaliou que os benefícios esperados do Brexit não se concretizaram e disse que, se a decisão de 2016 pudesse ser reavaliada, o resultado seria diferente. Ele também afirmou que o Reino Unido não deveria voltar a uma União Europeia que, em sua avaliação, adote políticas inadequadas para a inovação tecnológica ou deixe de implementar mudanças consideradas necessárias.
A negociação de um eventual retorno, segundo Blair, poderia funcionar como uma alavanca para pressionar o bloco a promover reformas voltadas ao crescimento e a controles migratórios mais rigorosos. Ele declarou que a proposta não consiste em retomar os debates de 2016, mas em adotar uma abordagem baseada na realidade de 2026. Blair comandou o Reino Unido de 1997 a 2007.
A divulgação do relatório ocorre antes da conferência do Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Andy Burnham, marcada para domingo em Liverpool. O futuro da relação entre o Reino Unido e a União Europeia estará entre os temas discutidos no encontro.
Dados citados no debate indicam que o país perde £ 6,5 bilhões por ano em exportações por causa do Brexit, conforme estimativa do Institute for Public Policy Research. A indústria automobilística aparece como a mais afetada.
Uma pesquisa do YouGov apontou que 57% dos britânicos consideram o Brexit um erro, enquanto 30% avaliam que a decisão foi correta. No Ipsos, 48% disseram que a saída foi mais negativa do que imaginavam, ante 28% em 2021. Apenas 9% afirmaram que o resultado foi melhor do que o esperado.









