A Sanepar continuará recorrendo para tentar obter parte dos R$ 4 bilhões de um precatório recebido no ano passado. O CEO da companhia, Wilson Bley, afirmou que a empresa já adotou medidas judiciais depois de esgotar as alternativas administrativas, enquanto avalia também uma possível mediação.
A agência reguladora do Paraná determinou que todo o valor seja destinado a descontos tarifários. A decisão prevê 50% para a modicidade tarifária e 50% para obras não reembolsáveis, que também têm impacto nas tarifas. Antes disso, uma nota técnica havia considerado a permanência de 25% dos recursos com a Sanepar.
O precatório encerrou uma disputa judicial que durou 32 anos. Bley disse que a companhia esperava receber o dinheiro, mas ficou frustrada com a mudança na interpretação sobre o destino dos recursos. Para ele, a tentativa de obter uma parcela atende aos interesses dos 360 mil acionistas e do Estado do Paraná, sócio majoritário.
Mesmo sem o valor, a Sanepar mantém o programa de investimentos de R$ 13 bilhões. O executivo afirmou que o precatório é um evento extraordinário e não altera os resultados da empresa. Segundo Bley, houve um lançamento extraordinário no balanço e, depois, um provisionamento relacionado ao resultado negativo dos recursos administrativos.
A privatização não está nos planos apresentados pelo CEO. Bley afirmou que a Sanepar tem situação financeira sólida e que a companhia precisa preservar sua função social. Também disse ter compromisso pessoal e do governador Ratinho Jr. de não privatizar a empresa neste momento.
Expansão para outros mercados
A estratégia inclui estudar leilões e parcerias fora do Paraná, sem comprometer o atendimento à região. A Sanepar conversou com parceiros sobre uma participação na Copasa, mas desistiu da intenção porque o negócio exigiria uma fatia acima de sua capacidade. A empresa continua avaliando oportunidades, principalmente em áreas com características semelhantes às do Paraná, e pretende atuar com parceiros e participação de no máximo 49%.
No exterior, a companhia já presta suporte técnico em Honduras, em parceria com a GIZ e o Itamaraty. A próxima frente mencionada por Bley é o Paraguai, onde a Sanepar pretende discutir uma parceria voltada à transferência de conhecimento técnico.
Também está previsto um leilão na B3 para a locação de ativos, em modelo semelhante a uma parceria público-privada. Os parceiros privados deverão financiar a construção, receber remuneração pelo capital aplicado ao longo de 25 anos e operar os ativos de forma assistida com a Sanepar. Depois, a gestão integral ficará com a companhia. O projeto exige um capex de R$ 2 bilhões e deve ser entregue em dois anos.









