MIAMI — O Nubank iniciou sua operação nos Estados Unidos com uma estrutura de custos projetada para ficar abaixo da praticada pelos grandes bancos locais. A empresa começa com cerca de 60 funcionários, e a despesa estimada por cliente é de aproximadamente US$ 1, contra uma média de US$ 20 dos grandes bancos americanos, segundo Cristina Junqueira, CEO da operação no país.
A receita por cliente, por outro lado, deve ser dez vezes maior que a obtida pelo banco nos demais mercados em que atua. A expectativa considera o câmbio e a maior renda per capita nos Estados Unidos. Se alcançar 10 milhões de clientes, equivalentes a 10% do mercado potencial, o resultado seria comparável a 100 milhões de clientes no Brasil, afirmou Cristina.
Produtos e licença bancária
A operação foi autorizada inicialmente por uma aprovação condicional do regulador, obtida em janeiro. O Nubank ainda aguarda a licença completa de banco nacional. Nesse estágio, oferece uma conta corrente remunerada, com rendimento real de 3,5% ao ano, além de cartões de débito e crédito com cashback de 1,5%.
Os depósitos ficam no Lead Bank, instituição parceira. De acordo com David Vélez, entre 60% e 70% dos depósitos bancários nos Estados Unidos não são remunerados. Após a obtenção da licença completa, o Nubank pretende oferecer produtos já disponíveis no Brasil, como empréstimos pessoais.
A empresa também lançou uma conta global com transferências gratuitas entre 35 países. A solução concorre com a Revolut, que obteve neste mês uma licença bancária provisória nos Estados Unidos. A parceria com a Wise, responsável atualmente pelos cartões globais do Nubank, continuará por enquanto. A meta é reunir os produtos na estrutura própria do banco.
Na conta global, valores em diferentes moedas são convertidos em dólares digitais ou euros digitais, stablecoins vinculadas ao dólar americano e ao euro. O rendimento diário é de 3,50% ao ano para os dólares e de 2,20% ao ano para os euros. Para brasileiros, o produto estará disponível em breve.
Mercado e estratégia
O mercado potencial estimado pelo Nubank é de 100 a 150 milhões de pessoas desbancarizadas ou com acesso limitado a serviços bancários. Embora os latino-americanos que já conhecem a marca sejam o segmento inicial, Vélez disse que a operação não será restrita a esse público: “Será um banco competitivo no mass market”.
O executivo também afirmou que as fintechs e os bancos digitais não são os principais concorrentes, em um sistema financeiro global no qual cerca de 95% é formado por instituições tradicionais.
O plano prevê consumir cerca de 1 ponto percentual do índice de eficiência, o equivalente a aproximadamente US$ 250 milhões, na busca pelo modelo adequado de produtos e mercado. Depois, a intenção é crescer.
Eduardo Rosman, do BTG, vê potencial no mercado de crédito americano, mas destacou que a execução será decisiva. As ações do Nubank subiram 0,2% no fim do pregão, e o banco era avaliado em US$ 73 bilhões na NYSE.









