A quantidade de investimento não explica, sozinha, o desempenho inferior do México após a abertura comercial. A formação bruta de capital fixo mexicana ficou próxima de 23% no período, acima da registrada nos Estados Unidos e no Brasil e em nível semelhante ao do Grupo de Visegrado. O problema, portanto, estaria menos no volume aplicado e mais na capacidade de transformar recursos em produtividade e crescimento.
A avaliação integra uma comparação entre dois processos de integração iniciados em 1990. Na América do Norte, Estados Unidos, México e Canadá aprofundaram os vínculos comerciais até a criação do NAFTA em 1994. Na Europa, Polônia, Hungria, Chéquia e Eslováquia estreitaram relações com o continente e aderiram à União Europeia em 2004.
Resultados diferentes após a abertura
Passados 30 anos, os quatro países do Grupo de Visegrado avançaram de forma substancial e aproximaram sua renda média do padrão europeu. O México, por outro lado, perdeu terreno em relação à renda média dos Estados Unidos. O país cresceu com força nos primeiros anos do NAFTA e depois da Crise Tequila, mas começou a ficar para trás no início do novo milênio.
Desde a criação do acordo norte-americano, o México também cresceu menos que o Brasil. A trajetória se tornou ainda mais desfavorável a partir do primeiro governo de Donald Trump, período que coincidiu com a chegada de Andrés Manuel López Obrador ao poder.
Uma diferença central entre os dois modelos está no alcance da integração. O NAFTA reduziu ou eliminou tarifas e protegeu investimentos, mas a integração europeia também incluiu a criação de um mercado único de serviços, o livre movimento de capital e pessoas e mudanças institucionais como condição para a entrada dos países candidatos.
Na América do Norte, a circulação de trabalhadores ocorreu em parte por meio da imigração mexicana para os Estados Unidos, legal e ilegal, e das remessas. Como esse fluxo não se deu, em grande medida, dentro de um mercado de trabalho formalmente integrado, seu efeito teria sido menos eficiente.
Informalidade e educação
A informalidade é apontada como um obstáculo persistente à produtividade mexicana. Segundo o INEGI, ela alcança cerca de 55% da força de trabalho, a maior taxa da OCDE. Na Polônia, o indicador fica abaixo de 9%.
Empresas que operam fora do sistema formal têm menos acesso a crédito, tecnologia, mercados externos e gestão. A presença elevada de negócios pequenos e informais, assim, limita a eficiência e o crescimento.
A educação também avançou menos no México. De 2000 a 2024, o país acrescentou 2,5 anos de escolaridade à população com mais de 25 anos, de acordo com a Unesco. A média mexicana está hoje em cerca de 10 anos, praticamente a mesma do Brasil. O avanço brasileiro no período foi de 4 anos, enquanto o Leste Europeu alcança aproximadamente 13 anos.
Outro possível entrave está na concorrência em setores como energia, telecomunicações, cimento e combustíveis. Barreiras à entrada e concentração elevada, tanto em atividades públicas quanto privadas, podem restringir os ganhos de produtividade.
Reformas e próximos desafios
A experiência comparada sugere que a liberalização comercial é importante, mas não basta para produzir convergência de renda. Instituições, capital humano, competição e uma integração econômica mais profunda podem determinar se a abertura resultará em ganhos de produtividade.
A comparação não é perfeita, porque os países do Grupo de Visegrado partiram de uma situação institucional e econômica específica após a transição do socialismo. Ainda assim, os dois casos permitem observar processos de integração ocorridos por um período semelhante em economias emergentes.
Entre o fim do governo de López Obrador e os primeiros meses do governo de Claudia Sheinbaum, o México aprovou reformas do Estado. Entre elas estão a eleição de juízes em todos os níveis, a extinção de várias agências reguladoras e a transferência de suas funções para órgãos do governo, além do fortalecimento das empresas estatais no setor elétrico.
O país também enfrenta a pressão de Trump por uma renegociação do USMCA em termos mais favoráveis aos Estados Unidos e dificuldades para controlar a criminalidade. Para Cláudio Andrade, fundador da Polo Capital, esse conjunto torna incerta a possibilidade de o México mudar sua trajetória nos próximos 30 anos.
Um México mais rico, produtivo e institucionalmente sólido também atenderia aos interesses dos Estados Unidos, especialmente pela posição do país nas cadeias produtivas norte-americanas.









