O Itaú integrou equipes do banco de atacado Itaú BBA e da gestora Itaú Asset para ampliar sua participação em operações de crédito relacionadas a propriedades comerciais. A estrutura atenderá negócios envolvendo galpões logísticos, prédios de escritórios e shopping centers, além de operações customizadas para desenvolvimento, compra e venda de ativos.
A demanda inclui financiamento de projetos, venda de imóveis com locação, conhecida como sale and leaseback, emissão de instrumentos de dívida com garantia imobiliária e estruturas com veículos de investimento e diferentes classes de cotas. O uso de cotas como forma de pagamento também está entre as modalidades avaliadas.
“Colocar essa atuação dentro de uma estrutura específica nos permite ter um nível de sofisticação maior, o que traz oportunidades de negócios mais ricas”, afirmou Bruno Bianchi, diretor comercial imobiliário do Itaú BBA.
Participação no setor
O Itaú BBA já financia incorporadoras em projetos residenciais há décadas, mas mantinha participação menor no segmento comercial. Na Itaú Asset, a área de capital privado soma R$ 80 bilhões sob gestão, dos quais R$ 3,5 bilhões estão ligados a negócios imobiliários.
Felipe Gottlieb, líder de Private Markets na Itaú Asset Management, disse que o banco pretende crescer de forma expressiva nos próximos cinco anos. A integração não altera a atuação da Kinea, gestora investida do Itaú que já possui presença relevante no setor imobiliário.
A nova estrutura já participou da criação do fundo imobiliário Itaú Log CP (ILCP11), que destinou R$ 1 bilhão à compra de 11 galpões logísticos da Log Commercial Properties. A operação foi organizada com cotas sênior, mantidas pelo Itaú BBA, mezanino, distribuídas a investidores, e subordinada, subscritas pela própria companhia.
Setores prioritários
Galpões logísticos, escritórios e shoppings são os principais segmentos definidos pelo Itaú. O banco também avalia oportunidades em hotéis e loteamentos. Outras operações de grande porte estão em discussão e devem ser anunciadas ao longo dos próximos trimestres.
O setor logístico é apontado pela equipe como o mais aquecido. A redução dos espaços vagos tem pressionado os aluguéis e estimulado novos projetos, em um movimento associado ao crescimento do ecommerce.
Os escritórios passam por recuperação, com queda na quantidade de áreas desocupadas. Regiões como Faria Lima e Paulista estão praticamente lotadas, enquanto a retomada da frequência presencial nos dias de trabalho contribui para a alta dos aluguéis.
Nos shoppings, o crescimento é menor. Os investimentos estão concentrados na expansão de empreendimentos existentes, e não em novas inaugurações. Ainda assim, o segmento registra movimentação significativa de compra e venda de ativos. A primeira metade do ano teve R$ 13,1 bilhões em negócios, conforme relatório da Cushman & Wakefield.
Miltom d’Avila, superintendente do segmento imobiliário no Itaú BBA, afirmou que o interesse também vem dos investidores. Eles buscam dividendos recorrentes de aluguéis, possibilidade de valorização e a segurança associada à existência de um ativo físico.








