CINGAPURA — Países ricos e pobres precisam acelerar medidas para reduzir o endividamento, conter a desigualdade e regulamentar a inteligência artificial, afirmou nesta quarta-feira, 7, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva. Para ela, a economia mundial enfrenta impactos combinados do avanço da IA, da dívida elevada e dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia.
“Estamos diante de escolhas políticas muito difíceis”, disse Georgieva em um discurso antes das reuniões de outono do FMI e do Banco Mundial, que serão realizadas em Bangkok na próxima semana. Os encontros reunirão ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos 191 países membros das duas instituições para avaliar a economia global e discutir medidas de estabilidade financeira e crescimento sustentável.
Dívida e efeitos dos conflitos
O endividamento excessivo pressiona economias de diferentes níveis de renda. Estados Unidos, Japão e Alemanha estão entre os países ricos afetados, enquanto nações de baixa renda enfrentam a necessidade de escolher entre investir em serviços públicos e pagar empréstimos mais caros, em um cenário de juros elevados.
Georgieva afirmou que os conflitos no Oriente Médio, na Ucrânia e em outros lugares estão entre os principais golpes recentes ao bem-estar global. Os custos elevados de energia associados à guerra no Irã também afetam a atividade econômica.
A diretora-geral do FMI pediu contenção dos gastos públicos e aumento do custo dos empréstimos, quando necessário, para controlar a inflação. Ao mesmo tempo, defendeu a proteção dos grupos mais vulneráveis.
Inteligência artificial amplia riscos e desigualdade
O rápido aumento da capacidade dos centros de dados para operar sistemas de IA impulsionou os preços das ações em diversos mercados e sustentou o crescimento econômico. Os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial podem superar, em escala relativa, os gastos históricos com ferrovias, redes elétricas e redes de telecomunicações.
“A IA está aqui, tornando-se rapidamente um fator-chave para a sorte relativa dos países na economia mundial”, afirmou Georgieva. Segundo ela, o investimento em infraestrutura tem apoiado os lucros das empresas e contribuído para uma inflação mais alta, mas os benefícios econômicos podem demorar a aparecer.
A diretora-geral alertou que resultados abaixo do esperado podem transformar a alavancagem das grandes empresas de tecnologia e a concentração de investimentos em ações dos Estados Unidos em um choque de alcance amplo.
Sete dos dez países líderes no comércio relacionado à IA estão na Ásia-Pacífico. A participação da região na atividade econômica mundial passou de 25%, em 1991, para 43%. China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e outros países com setores tecnológicos fortes se beneficiam do avanço, enquanto a maioria das demais nações fica à margem, ampliando a desigualdade.
A IA também aumenta a demanda por energia e pressiona os preços de combustíveis, fertilizantes, alimentos e outras commodities. Georgieva defendeu regras para o setor, qualificação dos trabalhadores, mercados de trabalho mais flexíveis, estímulo ao empreendedorismo e reforço da segurança energética.








