BRASÍLIA — A crise do Supremo Tribunal Federal é apresentada como resultado do rompimento entre a Corte e a sociedade. A avaliação é que a reputação do tribunal deixou de ser uma questão restrita aos gabinetes e passou a integrar o debate cotidiano, com críticas feitas por trabalhadores de diferentes áreas.
O diagnóstico inclui a perda de confiança no STF e a percepção de que a instituição se afastou da realidade. Também são citados salários ilegais, benefícios familiares, decisões consideradas irrazoáveis, influência negociada e alterações de regras em favor dos próprios ministros.
Entre as medidas apontadas estão a autorização para que parentes monetizem influência, a mudança do quórum para o impeachment de integrantes da Corte, a ampliação da interpretação da lei em casos específicos e atos de censura sob a justificativa de excepcionalidade. O texto também menciona casos em que ministros teriam aceitado benefícios pagos por partes interessadas.
A crítica sustenta que o Supremo deixou de respeitar limites institucionais e passou a agir como uma instância acima das regras. Nesse cenário, pesquisas sobre a confiança da sociedade no tribunal são tratadas como sinal de perda de legitimidade. A avaliação é que, sem a confiança popular, aumenta o risco de desobediência civil.
Resposta nas urnas
O argumento é que a crise não será resolvida pelo próprio sistema, porque corporações e Poderes tenderiam a se proteger. A saída indicada é a participação popular, especialmente por meio da escolha de um novo Senado.
Esse Senado, conforme a avaliação apresentada, poderia reformar o Judiciário, distinguir condutas e recuperar um mínimo de decoro institucional. A sociedade, depois de cobrar respostas da Corte e receber uma reação considerada ofensiva, teria agora a possibilidade de responder pelo voto.
A conclusão é que o problema está no Supremo, mas o mecanismo para alterar a situação estaria nas urnas e em uma escolha eleitoral bem informada.









