O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) apresentou sua Carta aos Presidenciáveis de 2026 com uma estratégia baseada em três frentes: proteção e recuperação da natureza, reindustrialização orientada pela economia verde e criação de mecanismos para financiar essa transformação.
A entidade defende que os futuros governantes apresentem metas para 2030, instrumentos de execução e fontes de recursos. A cobrança central é transformar propostas em ações coordenadas, com integração entre diferentes áreas da administração pública e aplicação dos recursos necessários.
Natureza e competitividade
No eixo ambiental, o CEBDS propõe atribuir valor econômico aos biomas brasileiros e estimular a restauração de milhões de hectares. A remuneração de produtores que conservam áreas e desenvolvem projetos de segurança hídrica e agricultura regenerativa aparece como base para políticas públicas voltadas ao aumento da competitividade.
A entidade também inclui entre as medidas o combate ao desmatamento ilegal, a recuperação de áreas degradadas e a valorização de quem preserva. Para Marina Grossi, presidente do CEBDS, o país precisa deixar de atuar apenas como fornecedor de commodities e ampliar a geração de valor a partir de soluções climáticas.
“A Carta propõe, antes de tudo, um projeto de país”, afirmou Marina.
Na avaliação do Conselho, energia renovável, biocombustíveis, biodiversidade e minerais críticos podem sustentar novas cadeias produtivas. A expectativa é ampliar investimentos, produtividade, empregos e renda.
A proposta também trata a transição energética como política de Estado. O CEBDS sugere avaliar como recursos gerados pela economia atual, incluindo o petróleo, podem ajudar a financiar atividades de baixo carbono, além de investimentos em qualificação, pesquisa, desenvolvimento e eficiência energética.
Execução e histórico
A redução da intensidade de carbono é apontada como necessária para permitir o crescimento do PIB com queda nas emissões por unidade produzida. Miguel Setas, CEO da Motiva, disse que a biodiversidade e os recursos hídricos colocam o Brasil em uma posição diferenciada no cenário internacional.
Solange Ribeiro, vice-presidente de Regulação, Institucional e Sustentabilidade da Neoenergia, defendeu uma agenda compartilhada por governo, empresas e sociedade civil. Karin Luchesi, CEO da Elera Renováveis, destacou a necessidade de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e ambiente de negócios capaz de atrair capital para projetos de energia limpa.
Marina Grossi afirmou que uma das principais cobranças ao próximo presidente deverá ser apresentada nos primeiros 100 dias de governo: detalhar a execução de políticas já existentes, integrar áreas e direcionar recursos.
O CEBDS atua desde 1997 na construção de soluções para desafios socioambientais do Brasil. A Carta de 2026 chega à quarta edição. A primeira agenda foi lançada em 2014, com 22 propostas. Em 2018, foram apresentadas dez medidas; em 2022, a entidade divulgou 12 linhas de ação.
Na avaliação do Conselho, parte das recomendações de 2022 avançou: 54% foram executadas integralmente ou em alguma medida pelo poder público. Atualmente, o CEBDS reúne mais de 110 empresas associadas, que respondem por cerca de um terço do PIB brasileiro.
Entre os avanços citados está o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado por lei aprovada pelo Congresso em 2024. A proposta de um mercado regulado de carbono já fazia parte das recomendações anteriores do Conselho.
Para 2026, a nova Carta reúne 11 propostas distribuídas entre conservação e restauração da natureza, aceleração da economia verde e financiamento da transformação.








