BRASÍLIA — A Bravo Grafeno, empresa de capacetes que tem Flávio Bolsonaro entre os donos, está registrada no mesmo endereço de ao menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Antunes é apontado pelas investigações como operador financeiro de um esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
O endereço fica na sala 2601 do bloco D do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. A Bravo Grafeno e empresas associadas a Antunes também utilizaram serviços da Voga Serviços Contábeis, vinculada à estrutura do local.
A Voga pertence a Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antunes e preso no âmbito das investigações. Reis é apontado como responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro, além de ser um elo entre o senador e o grupo investigado.
Relação com a contabilidade
Uma funcionária informou na portaria do edifício que a sala 2601 era ocupada pela Voga, que mantém outras unidades no mesmo andar. Na recepção da empresa, instalada na sala 2603, o advogado Thalles Setúbal confirmou que a contabilidade presta serviços à empresa de Flávio Bolsonaro, mas negou que a sala 2601 pertença à Voga. Segundo ele, o espaço funcionava como coworking e pertencia a outra empresa.
Funcionários indicaram, porém, que a sala também era usada pela Voga. Questionado sobre a relação da contabilidade com Flávio Bolsonaro e sobre as investigações da Polícia Federal, Setúbal afirmou: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.
Antunes está preso preventivamente desde setembro de 2025 no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele operava empresas usadas para movimentar recursos de mensalidades descontadas irregularmente de aposentados. A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, investiga um esquema que teria atingido mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, com prejuízo de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.
A Bravo Grafeno foi aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024, com capital social de R$ 100 mil. A empresa vende capacetes e acessórios para motociclistas e tem Jair Bolsonaro como garoto-propaganda. Flávio Bolsonaro já negou envolvimento no esquema. Ele e a defesa de Antunes não responderam sobre as novas informações até a publicação.








