A estratégia econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu converter programas microeconômicos em apoio eleitoral e ajuda a explicar a derrota do presidente para Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições de 2026, segundo análise de Álvaro Gribel.
Durante o mandato, o governo priorizou medidas voltadas ao consumo, ao crédito e à ampliação de benefícios. A agenda macroeconômica, baseada no ajuste das contas públicas, ficou em segundo plano e foi tratada como uma exigência do mercado financeiro.
Entre os exemplos está o Desenrola, que teve três versões, sendo duas em 2026. O endividamento das famílias, porém, não caiu. A análise também questiona a decisão de lançar uma nova edição depois de a primeira não ter alcançado o resultado esperado.
Medidas e resultado eleitoral
A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil foi anunciada no fim de 2024, quando o mercado esperava um pacote de corte de gastos. A medida não ocupou posição central na campanha, e não está claro se os eleitores associaram ao governo os valores que deixaram de ser descontados dos contracheques.
A lista de iniciativas inclui ainda o PAC, o programa Acredita, o Minha Casa, Minha Vida, o Move Brasil, com crédito para a compra de caminhões, além de Luz do Povo, Gás do Povo, Voa Brasil e Pé-de-Meia. Na avaliação apresentada, essas ações consumiram recursos humanos do Ministério da Fazenda e exigiram esforço político para a aprovação de parte das propostas no Congresso.
No campo fiscal, o governo aprovou a PEC da Transição em 2022, medida que injetou recursos na economia e pressionou a inflação. Os juros permaneceram elevados durante o mandato, enquanto o estímulo ao consumo e ao crédito ocorreu mesmo com muitos eleitores endividados. A regulação das bets também foi associada à busca de receitas para o ajuste fiscal.
Para tentar reverter o resultado no segundo turno, Lula teria de mudar de forma drástica sua estratégia econômica e apresentar propostas para um novo mandato.








