CAMBERRA — Uma falha no sistema conectado da picape BYD Shark permitiu que um especialista assumisse remotamente o controle de várias funções do veículo enquanto ele trafegava por uma estrada nos arredores da capital australiana. O teste foi conduzido por Dan Hreszczuk, fundador da Fortify Labs, a pedido da ABC News.
A invasão não exigiu a quebra de sistemas complexos de criptografia. O acesso ocorreu por uma porta do software que não exigia senha. Durante a demonstração, realizada à noite, a picape, que pesa 2.600 kg, rodava a cerca de 30 km/h quando Hreszczuk desligou completamente os faróis.
O especialista também acionou os limpadores de para-brisa na velocidade máxima, lançou água contra o vidro, travou as portas, modificou as imagens exibidas na central multimídia e reproduziu áudios pelo sistema de som. As funções de condução consideradas vitais, como os freios e o acesso às câmeras, tinham proteções mais rigorosas e não puderam ser controladas remotamente.
A interferência nos faróis e os comandos usados para distrair o motorista foram apontados como riscos de segurança. Em situações de maior velocidade ou em uma estrada sinuosa, a perda repentina da iluminação e a distração poderiam contribuir para um acidente grave.
Microfone e dados pessoais
O acesso também alcançou recursos ligados à privacidade. Hreszczuk conseguiu ativar o microfone interno em tempo real e rastrear a localização exata do veículo pelo mapa. Ele ouviu conversas do motorista com passageiros ou ao telefone e gravou o comando de voz usado para ativar o assistente pessoal do smartphone.
Depois, o áudio foi reproduzido pelos alto-falantes da picape. Como o celular estava desbloqueado no console, o comando levou o aparelho a revelar o endereço, a data de nascimento e informações que poderiam facilitar o acesso a contas bancárias.
Na Austrália, as fabricantes ainda não são obrigadas a seguir padrões mínimos de cibersegurança para os veículos vendidos no país. No Brasil, onde a BYD Shark também é comercializada, a regulamentação sobre dados e segurança cibernética de veículos conectados ainda está em debate.







