O motorista não pode tratar todas as soluções para pneus furados como equivalentes. A roda convencional, o estepe temporário, o kit de reparo e o pneu run-flat têm capacidades e limitações diferentes — e o manual do proprietário define como cada sistema deve ser usado.
A legislação brasileira também não exige que todo carro tenha uma roda sobressalente. Alguns veículos podem ser vendidos sem estepe, desde que a configuração esteja de acordo com as condições previstas na regulamentação e tenha sido homologada dessa forma.
Quando não há roda reserva
Modelos equipados de fábrica com kit de reparo ou outra solução prevista para o veículo não ficam irregulares apenas por não transportar um estepe. A Resolução Contran 993/2023 estabelece equipamentos obrigatórios para veículos em circulação, enquanto a Resolução 913/2022 trata de requisitos relacionados a rodas e pneus sobressalentes temporários e sistemas alternativos.
Dependendo do projeto, a dispensa pode envolver o conjunto formado por roda e pneu sobressalentes, macaco e chave de roda. Antes do registro e do licenciamento, fabricante ou importador precisa comprovar o atendimento aos requisitos aplicáveis de identificação e segurança. A Portaria Senatran 990/2022 disciplina o procedimento de homologação e a emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT).
A Resolução 913/2022 também determina que o comprador receba, durante a entrega técnica, informações sobre as observações e restrições de uso do estepe temporário ou do sistema alternativo. Isso diferencia um carro projetado e homologado sem roda reserva da retirada, pelo proprietário, de um equipamento previsto originalmente na configuração do veículo.
O que muda entre as opções
O kit de reparo costuma reunir compressor elétrico e selante. Ele reduz o peso e ocupa pouco espaço, mas não resolve qualquer problema. Cortes, danos no flanco e avarias na própria roda podem impedir o reparo e exigir assistência. O selante precisa estar dentro do prazo de validade, e o compressor deve permanecer em condições de funcionamento.
O sistema aparece, conforme a configuração, em modelos como BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin Plus e BYD Song Pro DM-i.
O pneu run-flat, por sua vez, tem flancos reforçados que sustentam o peso do veículo depois da perda de pressão. A solução é encontrada principalmente em modelos premium, como BMW 320i e determinadas configurações das famílias BMW Série 3, Série 4 e MINI.
Com o run-flat, em várias situações o motorista não precisa parar imediatamente para trocar uma roda. O pneu, porém, costuma ser mais caro e só pode continuar rodando dentro dos limites de velocidade e distância definidos pela fabricante. Não se trata de um pneu para uso indefinido sem pressão.
O estepe temporário exige atenção
Mais estreito, leve e compacto, o estepe temporário é usado em veículos como Volkswagen T-Cross, Toyota Corolla Cross, Honda HR-V e Fiat Fastback. Sua finalidade é permitir o deslocamento emergencial até o reparo ou a substituição do pneu original.
A Resolução Contran 913/2022 exige que a fabricante informe a velocidade máxima e que o manual oriente o reparo do conjunto original com brevidade. A norma não fixa uma quilometragem máxima universal. Distâncias como 50 km ou 100 km só valem quando especificadas pela fabricante.
Diversas montadoras adotam 80 km/h como limite máximo em aplicações desse tipo. No Corolla Cross, o sobressalente mede 155/70 R17, enquanto versões com rodas de 18 polegadas usam pneus 225/50 R18. A diferença entre as medidas mostra por que o veículo não deve ser conduzido normalmente com o estepe temporário instalado.
A pressão também pode ser diferente da usada nos pneus principais. No Honda HR-V, a especificação é de 60 psi (4,2 bar). O valor deve ser conferido no manual, e a calibragem precisa ser verificada periodicamente mesmo quando a roda reserva nunca foi utilizada.
Não há uma regra geral que determine a instalação do estepe fino sempre na dianteira ou na traseira. O procedimento varia conforme o veículo. A orientação é seguir o manual, dirigir com suavidade, evitar frenagens e mudanças bruscas de direção e reparar o pneu original o mais rápido possível.
A roda convencional e as exigências técnicas
A roda convencional permite substituir o pneu danificado sem as mesmas restrições de um conjunto temporário. Entre os carros novos, aparece principalmente em picapes e veículos destinados a usos mais severos, como Toyota SW4, Ford Ranger e Volkswagen Saveiro.
Essa alternativa oferece maior autonomia depois de um furo, especialmente em viagens ou em regiões sem assistência próxima. Em contrapartida, a roda completa pesa mais e ocupa espaço no porta-malas. Além disso, o termo convencional não significa necessariamente que o sobressalente seja idêntico às outras rodas: ele pode ter roda de aço ou especificações diferentes.
Como princípio, a legislação estabelece que o diâmetro externo do conjunto sobressalente seja igual ao das rodas de uso normal. Diferenças são admitidas quando a fabricante comprova que elas não prejudicam a dirigibilidade, a capacidade de carga, a tração e a segurança. O veículo também precisa ter espaço para transportar a roda avariada depois da troca.
Certificação do pneu temporário
O pneu destinado exclusivamente ao uso temporário deve ser identificado de forma permanente como Uso Temporário ou Temporary Use Only e seguir o processo de certificação aplicável do Inmetro.
Esse tipo de pneu é dispensado de alguns requisitos de desempenho aplicados aos modelos convencionais, incluindo os relacionados à aderência em pista molhada, à resistência ao rolamento e à emissão de ruído. A Resolução Contran 913/2022 estabelece ainda profundidade mínima de 1,6 mm nos sulcos para o uso do sobressalente.
A escolha depende do uso do veículo. A roda convencional oferece maior autonomia, mas ocupa mais espaço e pesa mais. O estepe temporário economiza espaço e peso, embora deva ser usado apenas até o reparo. O kit é mais compacto, mas não atende a todo tipo de avaria. O run-flat permite continuar rodando após a perda de pressão, dentro dos limites definidos pela fabricante.
Pressão, velocidade, distância e posição de instalação variam conforme o projeto. Por isso, o manual do proprietário é a principal referência, independentemente da solução instalada no carro.








