SÃO PAULO — O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão temporária de Milton Leite da Silva, ex-vereador de São Paulo, após negar nesta quarta-feira (23) um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. A detenção tem duração de 30 dias e foi determinada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) no âmbito da Operação Decurio.
A decisão foi tomada pelo ministro Rogerio Schietti. O pedido contestava a ordem de prisão expedida pelo TJSP. Milton Leite se entregou à polícia na última sexta-feira (18), durante as investigações sobre uma possível ligação entre empresas de ônibus e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com o despacho do STJ, o ex-vereador é citado nominalmente em diferentes momentos das apurações como responsável direto pela operação de empresas controladas pela facção. Ao se apresentar às autoridades, ele negou as acusações. “Eu não cometi nenhum e nada devo”, afirmou.
Imóvel em Santo Amaro
No domingo (20), uma casa no bairro de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, foi invadida. Documentos apreendidos pela Polícia Militar indicariam que o imóvel pertence a Milton Leite. Os criminosos levaram documentos e discos rígidos que armazenavam imagens das câmeras de segurança.
A polícia afirma que a casa era usada como uma espécie de escritório pelo ex-vereador.
As investigações também apontam que Milton Leite seria o proprietário de fato da empresa de ônibus Transwolff, alvo da Operação Fim da Linha, conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) em 2024. A empresa foi investigada por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado.
A Transwolff nega qualquer ligação com a facção e declara que Milton Leite nunca teve participação societária, não atuou na gestão e não deu ordens a funcionários. As apurações indicam ainda que 12 das 22 empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital paulista seriam, em tese, controladas pelo PCC.







