A Polícia Federal encontrou, na 13ª Vara, documentos relacionados a interceptações telefônicas determinadas por Sergio Moro quando ele era juiz. O material foi localizado em uma operação de busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e encaminhado ao ministro Dias Toffoli.
Moro, atualmente senador pelo União Brasil, assinou em julho de 2005 uma ordem para que o empresário e ex-deputado estadual pelo Paraná Tony Garcia gravasse novamente Heinz Georg Herwig, então presidente do Tribunal de Contas paranaense. A determinação aparece em um despacho produzido no contexto de um acordo de colaboração firmado em 2004 com o Ministério Público Federal.
Conversa encontrada pela PF
A PF localizou a transcrição de uma conversa entre Garcia e Herwig realizada em 3 de fevereiro de 2005. O diálogo durou 52 minutos e 30 segundos. No encontro, Garcia relatou uma operação de busca em sua casa e afirmou que os dois corriam risco. Herwig respondeu que também estava sob risco.
Durante a conversa, os dois criticaram a atuação de Moro. Herwig resumiu: “Ele é polícia, é promotor e é juiz”. Garcia também advertiu o conselheiro sobre as consequências de cair nas mãos do então juiz. Eles mencionaram ainda políticos que, segundo o diálogo, Moro não teria competência para julgar.
Em uma decisão, Moro escreveu que considerava convenientes “tentativas de reuniões, com escuta ambiental” com os advogados Roberto Bertholdo e Michel Saliba e novamente com Heinz, porque as gravações realizadas até então seriam insatisfatórias. O documento indica que Herwig já havia sido alvo de escutas.
O artigo 105 da Constituição atribui ao Superior Tribunal de Justiça a competência para processar e julgar integrantes dos Tribunais de Contas dos estados, como Herwig. O caso tramita sob sigilo, e ainda não foi informada a dimensão completa do material localizado pela PF.
Resposta de Moro
Cinco meses depois da conversa, em 7 de julho de 2025, Moro determinou que Tony Garcia gravasse Heinz novamente. Procurado por meio de sua assessoria, o senador reiterou uma nota oficial e chamou Garcia de “um criminoso colaborador”.
Moro afirmou que, à época, o entendimento do STF era de que a gravação feita por um dos interlocutores não exigia autorização judicial. Também disse que o áudio não foi usado e que a colaboração terminou em 2005, sem relação com a Lava Jato.









