EMBU DAS ARTES — A prisão temporária do soldado Vinicius Costa Silva ocorreu depois que a perícia apontou inconsistências na trajetória do projétil e na posição do corpo de Larissa da Cruz Morata, encontrada morta no banheiro de casa. A delegada Bruna Caracho Crippa solicitou a medida após a médica legista mencionar “dados curiosos” nos exames necroscópicos.
Larissa, de 29 anos, foi localizada no domingo (6), por volta das 11h, com um ferimento na cabeça provocado por arma de fogo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) confirmou a morte. Uma arma pertencente a Silva estava sob o corpo. No banheiro, também foram encontrados um coldre, um carregador, munições e um estojo de munição.
O soldado foi preso na segunda-feira (7), levado ao Presídio Militar Romão Gomes (PMRG) e permanece detido após passar por audiência de custódia na terça-feira (8). O caso é investigado como morte suspeita pela Delegacia de Polícia de Embu das Artes, com dúvida razoável sobre a hipótese de suicídio.
Versão apresentada pelo soldado
Em depoimento à Polícia Civil, Silva afirmou que Larissa tirou a própria vida com a arma dele. Segundo o relato, os dois haviam retomado naquela manhã uma conversa sobre o fim do relacionamento. Ele disse que ela começou a chorar e ficou bastante abalada, e que tentou acalmá-la antes de ir dormir.
O policial contou ter acordado com um estrondo forte. A princípio, pensou que o filho do casal tivesse quebrado um copo ou outro objeto, porque ouviu um desenho infantil na sala. Ao chegar ao local, encontrou o menino brincando. Depois de perguntar pela mãe, foi informado de que ela estava tomando banho.
Silva relatou que encontrou Larissa caída no banheiro, atrás de uma estrutura do guarda-roupa com espelho no quarto do casal. Disse que ficou “extremamente abalado” e ligou para o 190. Após a chegada das equipes, afirmou ter procurado familiares da mulher.
Defesa e perfil de Larissa
O advogado Roberto Montanari Custódio declarou que Silva “jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa”. A defesa afirma que, apesar do término no dia dos fatos, os dois mantinham boa relação e compartilhavam o cuidado e o afeto pelo filho.
Custódio também informou que serão entregues aos policiais conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius. De acordo com o advogado, nessas mensagens ela manifestava pensamentos sobre tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura. A defesa considera o material relevante e diz que Silva confia no esclarecimento da dinâmica dos acontecimentos.
Larissa morava havia pouco mais de um mês no bairro Chácaras Bartira, com Silva e o filho do casal, de dois anos. Antes, a família vivia em Itapecerica da Serra. Ela concluiu, em 2019, um Tecnólogo em Radiologia no Centro Universitário FAM.
Entre 2022 e 2024, trabalhou como técnica em Radiologia em uma fundação, em carretas móveis e no setor de mamografia. Atualmente, era proprietária de uma farmácia em Taboão da Serra junto com Silva.
A Polícia Científica fez perícia na residência. A arma foi apreendida, e foram solicitados exames nas mãos de Larissa e Silva, além de exames balísticos e análises dos demais vestígios recolhidos. A rapidez para liberar o corpo para cremação, sem consentimento da família, também entrou entre os pontos que despertaram suspeitas.







