O Corinthians perdeu o Brasileirão Feminino de 2026 para o São Paulo e encerrou uma sequência de seis títulos consecutivos. Vice-campeão, o time também atravessa uma série de quatro finais perdidas, considerando o Campeonato Paulista de 2025, o Mundial de Clubes Feminino, a Supercopa Feminina e o Brasileirão de 2026.
A técnica Emily Lima afirmou que o cenário político e financeiro do clube afetou o trabalho das Brabas. O Corinthians tem endividamento próximo dos R$ 3 bilhões e convive com atrasos em premiações, salários e direitos de imagem. Em agosto, as atletas foram ao Parque São Jorge cobrar uma posição do presidente Osmar Stabile. Na ocasião, havia dois meses de direitos de imagem em aberto, além de outros valores.
“Gera uma insegurança para as jogadoras, para todo o staff”, disse Emily. Segundo a treinadora, a instabilidade também interfere na possibilidade de contratar reforços, mas a comissão tenta aproveitar o grupo disponível.
Técnica nega ameaça à hegemonia
Questionada sobre o fim da hegemonia corinthiana, Emily Lima disse não considerar que o domínio esteja ameaçado. Para ela, o momento representa a evolução e a profissionalização do futebol feminino, com mais clubes investindo na modalidade.
A treinadora citou São Paulo, Palmeiras, Internacional, Grêmio, Santos, Centro Olímpico e São José como exemplos de equipes que tiveram destaque ou ampliaram seus projetos. Também mencionou a existência de um centro de treinamento de futebol feminino no Grêmio.
Mesmo sem o título em 2026, o Corinthians continua como maior vencedor do Brasileirão Feminino, com sete conquistas: 2018, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025. A Ferroviária aparece em seguida, com dois títulos. Centro Olímpico, Rio Preto, Flamengo, Santos e São Paulo têm uma conquista cada no formato organizado pela Confederação Brasileira de Futebol desde 2013.
Confiança no elenco
O Corinthians não conquista um título desde 18 de outubro de 2025, quando venceu o Deportivo Cali, da Colômbia, nos pênaltis, por 5 a 3, e levantou pela sexta vez a Libertadores Feminina. Apesar da fase sem troféus, Emily afirmou que a torcida deve continuar acreditando na equipe.
A técnica também avaliou que o futebol feminino avançou na atração de patrocinadores e na negociação de jogadoras. No início de setembro, o Corinthians fez a maior venda de sua história na modalidade com a transferência da zagueira Letícia Teles para o Al Qadsiah, da Arábia Saudita. O clube não divulgou os valores, estimados entre 600 mil e 800 mil dólares, aproximadamente R$ 3,1 milhões a R$ 4,1 milhões na cotação da época.
A negociação foi a segunda maior do futebol feminino brasileiro, atrás da transferência de Amanda Gutierres do Palmeiras para o Boston Legacy, dos Estados Unidos, por US$ 1,1 milhão, cerca de R$ 5,9 milhões. Letícia Teles superou os valores das saídas de Tarciane, por aproximadamente R$ 2,59 milhões, e Daniela Arias, por cerca de R$ 850 mil.
Preparação para a Libertadores
Emily Lima afirmou que as jogadoras ficaram abatidas com o vice-campeonato, principalmente pelas oportunidades desperdiçadas nos dois jogos da decisão. A comissão técnica, segundo ela, terá de recuperar a confiança do elenco e concentrar o trabalho na busca por soluções.
“Eu, o staff, a gente tem o dever de tirar elas dessa situação”, afirmou a treinadora, que espera retomar as atividades com energia renovada.
O próximo compromisso do Corinthians será pela Libertadores Feminina de 2026. Em 15 de outubro, às 17h (de Brasília), as Brabas enfrentarão o Colo-Colo, do Chile, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, o Casa Blanca, em Quito, no Equador. A partida será válida pela primeira rodada do Grupo A, e o clube iniciará a busca pelo sétimo título da competição.









