A Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo do Corinthians arquivou o procedimento contra Haroldo Dantas, presidente do Conselho Fiscal, e recomendou mudanças nas regras internas do clube. A relatora Claudia Carlos de Oliveira avaliou que o estatuto não define impedimentos claros para situações envolvendo vínculos profissionais, amizades ou alinhamento político.
A decisão foi assinada em 28 de agosto. No parecer, a relatora afirmou que não foram apresentadas provas materiais de favorecimento à diretoria, recebimento de vantagens indevidas, manipulação de auditorias ou prejuízo institucional ou financeiro ao Corinthians. Na avaliação dela, questionamentos morais ou de governança não configuram infração disciplinar sem previsão específica e evidências.
Origem da apuração
O procedimento havia sido aberto em 31 de março, após denúncias de que Dantas trabalhava como advogado para empresas ligadas ao presidente Osmar Stabile. A representação também mencionava a amizade entre os dois e o alinhamento político declarado publicamente como fatores que poderiam comprometer a independência exigida do presidente do Conselho Fiscal.
Em 9 de abril, uma medida cautelar afastou Haroldo por decisão monocrática. Os demais integrantes do Conselho Fiscal levaram o caso ao Conselho de Orientação, que entendeu não haver previsão no estatuto para que apenas um integrante da Comissão de Ética determinasse esse tipo de afastamento. O órgão também reforçou que a comissão tem natureza colegiada.
A Comissão de Ética considerou ainda que um procedimento semelhante já havia sido arquivado no passado com base no mesmo entendimento sobre a ausência de impedimento estatutário. Claudia Carlos de Oliveira sustentou que o exercício da advocacia privada para empresas de integrantes da diretoria não implica, por si só, perda de mandato ou impedimento automático.
Investigação do Ministério Público
O caso também foi analisado pelo Ministério Público de São Paulo, que instaurou um Procedimento Investigatório Criminal sobre a participação de Dantas na reunião do Conselho Fiscal que examinou as contas do Corinthians de 2025. Em maio, a promotoria arquivou a investigação e descartou crimes como falsidade ideológica. O órgão apontou ambiguidade nas normas internas do clube.
Ao concluir o procedimento disciplinar, a relatora recomendou à presidência do Conselho Deliberativo o aperfeiçoamento do regulamento. A sugestão inclui regras mais objetivas para conflitos de interesse, declaração de vínculos profissionais e adoção de medidas cautelares em situações futuras.









