O próximo governo terá de fazer mais do que responder a crises imediatas. Para Hugo Rodrigues, só uma combinação de prioridades claras, continuidade e cobrança por resultados pode tirar o Brasil da dependência do improviso.
A eleição define quem poderá escolher os temas centrais da administração, mas não garante que essas escolhas serão mantidas quando a campanha terminar. O desafio, segundo Rodrigues, é sustentar decisões cujo resultado pode demorar a aparecer e evitar que cada gestão abandone projetos apenas para imprimir uma nova assinatura política.
O autor reconhece a capacidade brasileira de reagir diante de problemas. Empresas, famílias e cidades encontram alternativas para seguir em frente. Mas essa adaptação constante tem custos: investimentos são adiados, trabalhadores perdem tempo no deslocamento e famílias reorganizam a rotina para conseguir atendimento. A energia consumida para fazer o básico funcionar deixa menos espaço para construir soluções duradouras.
Os indicadores econômicos recentes mostram um cenário que não cabe em uma interpretação única. No segundo trimestre, o desemprego recuou de 6,1% para 5,4%, enquanto o Produto Interno Bruto cresceu 0,5% na comparação com o trimestre anterior, conforme o IBGE. Ainda assim, permanece a discussão sobre a qualidade e a duração desse crescimento.
Decisões que exigem continuidade
Educação, produtividade, segurança, infraestrutura e adaptação tecnológica são apontadas como áreas que não avançam no ritmo das manchetes. Para Rodrigues, é necessário avaliar o que funciona, corrigir falhas e preservar políticas eficazes, sem transformar a autoria política em prioridade maior do que a entrega.
O envelhecimento da população aumenta a pressão por decisões antecipadas. O IBGE projeta que a população brasileira pare de crescer em 2041, mudança que afetará a demanda por saúde, o mercado de trabalho e as contas públicas. Adiar respostas, afirma o autor, reduzirá a margem disponível no futuro.
A tecnologia também não substitui a revisão dos processos. A inteligência artificial pode elevar a produção de uma organização, mas, aplicada a estruturas ruins, pode acelerar a produção de erros. Formar pessoas, aperfeiçoar procedimentos e medir os resultados são tarefas menos visíveis, porém necessárias.
Rodrigues afirma que o Brasil não está condenado a repetir seus ciclos, mas também não mudará de rumo apenas com uma eleição. O país precisará cobrar resultados sem exigir milagres, preservar os fatos no debate e apoiar decisões cujos benefícios talvez não sejam imediatos. Hugo Rodrigues é sócio da WMcCann e empreendedor.









