A escalada de ataques no Golfo atingiu instalações de energia e quatro cidades no sul da Arábia Saudita nesta terça-feira (8), deixando pelo menos 73 pessoas feridas. O Ministério da Energia saudita informou que incêndios começaram em algumas unidades e mobilizaram equipes de combate a incêndios e de emergência.
A ofensiva foi atribuída aos houthis do Iêmen, grupo apoiado por Teerã e que controla as regiões mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país. Um porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen afirmou que os ataques ocorreram em meio à tensão entre o Irã e seus vizinhos do Golfo.
O coronel Turki al-Malki declarou que a coalizão adotaria novas medidas contra os houthis. “A coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para deter essa milícia terrorista”, afirmou em comunicado divulgado na plataforma X.
Os houthis lançam ataques contra a Arábia Saudita desde que declararam um bloqueio naval contra Riade em julho, com ações direcionadas a navios sauditas no mar Vermelho. As interrupções na navegação aumentaram as preocupações sobre o abastecimento global de petróleo e gás. O tráfego de navios de commodities também diminuiu novamente nesta semana.
A ofensiva ocorreu depois de o Irã alertar que a infraestrutura energética em todo o Golfo, incluindo interesses dos Estados Unidos nos setores de petróleo e gás, estava vulnerável. O aviso veio após uma troca de ataques em retaliação contra navios no Golfo e em áreas próximas no último fim de semana.
Os preços do petróleo subiram aos níveis mais altos em mais de seis semanas. Cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo estreito de Ormuz antes da guerra, o que permitia ao Irã ameaçar petroleiros de países vizinhos que buscavam exportar combustíveis.
O conflito com o Irã dura seis meses e teve períodos de pausa seguidos por novos confrontos desde os ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro. As ações tinham como objetivos encerrar o programa nuclear iraniano, limitar a capacidade de ataque do país contra vizinhos e restringir o apoio de Teerã a grupos aliados na região.
Nova restrição marítima
O Irã prometeu anunciar uma nova zona restrita no Golfo e mapas de um corredor de navegação pelo estreito de Ormuz. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, disse à televisão estatal no domingo (6) que a área começaria no ponto de início do bloqueio dos Estados Unidos e alcançaria partes do Golfo.
Segundo Rezaei, qualquer navio que entrasse na zona seria incluído em uma lista de sanções iranianas. Na terça-feira, ele voltou a fazer ameaças econômicas e militares na plataforma X e afirmou que a postura em relação a navios de guerra e bases americanas havia sido recalibrada.
Rezaei provavelmente se referia ao míssil balístico Qassem Basir, que, segundo a mídia iraniana, foi lançado contra navios de guerra dos Estados Unidos perto do estreito de Ormuz. As Forças Armadas americanas disseram que seus navios evitaram ataques com mísseis.








