BRASÍLIA — Uma investigação do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) concluiu que não houve votos registrados antes da votação nem violação de lacres eletrônicos em urnas usadas no Distrito Federal. A suspeita surgiu em um vídeo gravado durante as eleições de 2018, que voltou a circular em outras eleições.
O caso ocorreu na região do Guará, integrante da 9ª Zona Eleitoral. Nas imagens, dois policiais militares aparecem diante do prédio da Polícia Federal no Distrito Federal e relatam uma suposta fraude depois de terem sido acionados por um representante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um deles afirma: “A urna que deveria estar zerada já veio com a suspeita de ter votos impressos nela”. O segundo agente menciona uma suposta violação do lacre eletrônico.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigaram o episódio, colheram depoimentos e não comprovaram a denúncia. O TRE-DF identificou um desconhecimento técnico do colaborador contratado pelo tribunal como causa da interpretação sobre o funcionamento da urna.
Documentos não indicaram irregularidade
O boletim de urna e a zerésima foram emitidos sem alterações, segundo o TRE-DF. O boletim reúne, ao fim da votação, os votos destinados a candidatos e partidos, além dos votos brancos e nulos, do número da seção, da identificação da urna e da quantidade de eleitores que votaram no equipamento.
A zerésima é assinada no começo da votação pelo presidente da seção, pelos mesários e pelos fiscais dos partidos ou coligações. O documento identifica a máquina, confirma o registro de todos os candidatos e comprova a inexistência de votos computados antes do início do pleito.
Em maio de 2019, os dois policiais aceitaram um acordo judicial proposto pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Eles haviam cometido crime de perturbação dos trabalhos no primeiro turno das eleições de 2018. Cada agente concordou em pagar R$ 998, valor correspondente a um salário mínimo na época, à Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias.
As publicações que recuperaram o vídeo usaram a alegação para lançar dúvidas sobre a transparência das urnas eletrônicas. A apuração apontou o uso da autoridade dos policiais e a distorção de informações técnicas como elementos de persuasão, além da divulgação das postagens às vésperas do primeiro turno e da exploração do medo e da confirmação de convicções prévias.








