SÃO PAULO — O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou a Operação Frankmobile contra estabelecimentos acusados de modificar iPhones antigos para que se parecessem com modelos mais recentes. A ação prendeu 15 pessoas e levou à apreensão de mais de 10 mil celulares e peças.
Segundo o MPSP, a transformação exigia componentes retirados de outros aparelhos, o que poderia permitir o uso de smartphones roubados ou furtados. As investigações duraram dois anos e identificaram um técnico que prestava serviços para dois dos estabelecimentos. Também foi localizado um mercado de componentes usados cuja procedência não podia ser verificada.
Modificação e desbloqueio de aparelhos
Um material de divulgação usava como exemplo um iPhone XR, modelo de 2018, cuja carcaça havia sido alterada para se parecer com a de um iPhone 13 Pro, de 2021. Telas originais retiradas de outros smartphones eram oferecidas por volta de R$1.500. Os locais também vendiam peças produzidas por terceiros, descritas como “paralelas”, “compatíveis” ou “chinesas”.
O MPSP informou que os estabelecimentos contavam com ferramentas e softwares para desbloquear celulares roubados, remover a Conta Apple vinculada ao iPhone e alterar o IMEI do aparelho. A sigla corresponde à identificação internacional de equipamento móvel.
Em alguns casos, a placa lógica era substituída para liberar o aparelho, que passava a ter outro endereço de IMEI. Um técnico identificado como “Icloudeiro” teria cobrado R$250 pela troca da placa e R$140 pelo desbloqueio. Com esses procedimentos e a mudança da carcaça, seria mais difícil verificar se o celular havia sido roubado.
Além das prisões e apreensões, a operação resultou no confisco de R$122,5 mil e US$268 em dinheiro, dois cartões bancários, três relógios, documentos, quatro notebooks, nove tablets, cinco desktops, um HDD e um pendrive. Uma conta bancária também teve cerca de R$8 milhões bloqueados.








