A representação das pessoas com deficiência no Congresso Nacional pode ser reduzida com a saída da senadora Mara Gabrilli, que decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Sem candidaturas consideradas fortes, a população com deficiência pode ficar subordinada a parlamentares sem vivência direta na temática e a uma abordagem assistencialista de suas pautas.
Desistências recentes de pessoas com deficiência que disputavam cargos em assembleias estaduais e no Congresso, todas estreantes em eleições, também mostram que a transferência direta de seguidores para votos não é garantida. A atuação efetiva em defesa desse coletivo e o apoio de instituições e partidos são apontados como fatores necessários para uma candidatura que se apresente como representante da população.
Eleitorado e prioridades
Em agosto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 1.970.165 eleitoras e eleitores declararam ter algum tipo de deficiência nas eleições. O número representa crescimento de 42% em relação a 2022. O tribunal também informou que 220.577 seções eleitorais principais têm acessibilidade.
Um levantamento sobre candidaturas de pessoas com deficiência, realizado pelo Diário PcD, chegou a 126 nomes. A saída de Mara Gabrilli, descrita como a única representante efetiva dessa população em Brasília, e a ausência de nomes com força suficiente para reunir votos podem reduzir ainda mais essa presença no Congresso.
Educação e trabalho aparecem como prioridades centrais. O acesso ao ensino e a empregos de qualidade, com remuneração justa e equivalente ao cargo ocupado, é apresentado como condição para a autonomia e a independência das pessoas com deficiência.
Indicadores de educação e trabalho
Em setembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou a segunda edição do estudo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”. O levantamento apontou taxa de analfabetismo mais de dez vezes maior entre pessoas com deficiência. Entre pessoas sem deficiência de 15 a 29 anos, o índice foi de 1%; entre pessoas com deficiência, chegou a 12,2%.
A Pesquisa Ethos de Diversidade, Equidade e Inclusão 2025/2026 mostrou que 12% das empresas buscam pessoas com deficiência para cargos de gerência, enquanto 10% recrutam esses profissionais para posições executivas.
Levantamento feito na plataforma de empregos IncluiPcD, da Egalite, indicou que 98% dos cargos oferecidos são operacionais, com média salarial de R$ 2 mil. Já a edição 2026 da Pesquisa Nacional PcD, da Catho, registrou crescimento de quase 16% no percentual de profissionais que afirmam ter sofrido ou presenciado preconceito no ambiente de trabalho.
Entre as medidas defendidas estão a continuidade da Lei de Cotas (8.213/1991) e o fortalecimento da educação inclusiva, com prioridade para a formação de professores e profissionais multidisciplinares para atuação nas escolas.








