A agropecuária do Rio Grande do Sul enfrenta os efeitos de estiagens, cheias e do endividamento dos produtores, que ameaça a viabilidade do próximo plantio. A catástrofe ambiental de 2024 também afetou a estrutura do solo e aumentou a necessidade de recursos para recuperação. Entre as medidas preventivas defendidas pelos agricultores está o apoio à irrigação em diferentes culturas.
Os candidatos ao governo estadual apresentam propostas distintas para o setor. Enquanto Priscila Voigt (UP), Rejane de Oliveira (PSTU) e César Pontes (PCO) priorizam reforma agrária, redistribuição de terras e fortalecimento da produção camponesa e familiar, os demais postulantes concentram seus planos em produtividade, crédito, pesquisa, irrigação, gestão de riscos e agroindustrialização.
Reforma agrária e agricultura familiar
Priscila Voigt propõe uma reforma agrária popular, redistribuição de terras, fortalecimento da agricultura familiar e investimento na pequena produção. O plano também prevê desapropriação e titulação de terras para camponeses pobres, criação de mercados para venda de alimentos a preços reduzidos e fim de isenções e benefícios fiscais para latifundiários do agronegócio. A candidata relaciona as medidas ao combate à fome, que, segundo sua proposta, atinge 1,7 milhão de pessoas no Estado.
Rejane de Oliveira defende reforma agrária sob controle dos trabalhadores e o redirecionamento de crédito público, subsídios, assistência técnica, pesquisa e compras para a agricultura familiar. Também propõe que os insumos da merenda escolar sejam fornecidos diretamente pela produção camponesa e familiar. Seu plano inclui a expropriação, sem indenização, de fazendas do agronegócio envolvidas em invasões, crimes ambientais ou exploração de trabalho análogo à escravidão.
César Pontes propõe o assentamento de sem-terra, a demarcação e a posse de terras para indígenas das retomadas, a expulsão de latifundiários que invadiram terras indígenas, a ocupação de latifúndios e o direito de autodefesa e armamento para trabalhadores do campo e indígenas. A candidatura foi indeferida pela Justiça Eleitoral.
Produção, irrigação e gestão de riscos
Gabriel Souza (MDB) defende um planejamento estratégico de médio e longo prazo e a criação do Plano Safra Gaúcho como política permanente, reunindo crédito, seguro rural, irrigação, assistência técnica e incentivos produtivos. Também propõe industrialização, fortalecimento de cooperativas e agroindústrias familiares, turismo rural e ampliação de programas como o Irriga+ e a Operação Terra Forte.
Juliana Brizola (PDT) prioriza a recuperação da capacidade pública de planejamento, defesa agropecuária, fomento e inteligência econômica. Seu plano prevê fortalecer a pesquisa estadual, recuperar funções da antiga Fepagro e ampliar a atuação do Irga, com foco em resiliência climática, conservação do solo e da água, bioinsumos, diversificação produtiva e agroindustrialização.
Luciano Zucco (PL) propõe aumentar produtividade e renda, ampliar a segurança hídrica, criar uma política estadual de seguro rural e reforçar crédito, garantias, assistência técnica e recuperação produtiva. Também inclui armazenagem, agroindústria familiar, cooperativas, cadeias produtivas e sucessão no meio rural.
Marcelo Maranata (PSDB) defende irrigação por bacias e microrregiões, ampliação da reservação de água, assistência técnica para pequenos e médios produtores, modernização da defesa sanitária e apoio à biotecnologia, ao melhoramento genético e à agricultura de precisão. O plano ainda prevê diversificação de culturas, seguro rural, gestão de riscos, certificação, rastreabilidade e agregação de valor.









