O Brasil lidera o comércio agrícola mundial, com 12,5% das exportações globais, à frente dos Estados Unidos, que respondem por 12%. O resultado é associado a décadas de pesquisa, adaptação tecnológica e profissionalização da produção em condições específicas.
A produção também mantém trajetória de alta. De acordo com o 11º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita brasileira deve alcançar 360,8 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 2,4% em relação ao ciclo anterior.
Pesquisa aplicada ao campo
A ocupação agrícola do Cerrado foi uma etapa central desse processo. A correção das características químicas e físicas dos solos permitiu transformar áreas antes consideradas pouco adequadas em regiões de alta produtividade.
Para Marcelo de Almeida Silva, engenheiro agrônomo e conselheiro do Crea-SP que representa a Universidade Estadual Paulista (UNESP) na Câmara Especializada de Agronomia (CEA), a transformação dos solos do Cerrado sustentou o avanço da produção e das exportações. “O eixo desse avanço foi a correção química e física da terra no Cerrado”, afirmou.
Outro componente é o calendário agrícola. Em parte do território nacional, temperatura e disponibilidade de água permitem a sucessão de culturas e, em algumas regiões, mais de uma colheita na mesma área durante o ano. Essa possibilidade, porém, depende do desenvolvimento de cultivares adaptadas ao fotoperíodo local.
Gisele Herbst Vazquez, engenheira agrônoma e diretora técnica do Crea-SP, afirmou que o modelo aumenta o rendimento anual por hectare sem exigir a incorporação de novas áreas.
Com sistemas mais intensivos e sofisticados, o conhecimento técnico ganha peso. O manejo inadequado pode reduzir a produtividade, degradar o solo, favorecer a resistência de pragas e provocar contaminação ambiental, além de dificultar o acesso a mercados exigentes.
A responsabilidade técnica aparece, nesse contexto, como parte da competitividade do setor. Ela envolve qualidade, rastreabilidade e segurança, além de atender ao produtor e ao consumidor.
O desafio seguinte é ampliar a produção com eficiência, previsibilidade e sustentabilidade, preservando a capacidade de atender a um mercado atento à origem, à qualidade e à forma de produção dos alimentos. Esse processo reúne formação profissional, ciência tropical e conhecimento acumulado pela Agronomia e pelos agricultores.








