Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
O Brasil em um ponto
Política

Proposta de Flávio Bolsonaro sobre religião mobiliza liderança católica

CNBB e bispos regionais criticam a mistura entre religião e política após promessa de decreto sobre a identidade cristã do Brasil.

O plano de Flávio Bolsonaro contra o status de Nossa Senhora Aparecida

A promessa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de editar um decreto afirmando que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo provocou reação da liderança católica. A proposta foi apresentada no contexto da corrida presidencial de 2026 e abriu um debate sobre a relação entre religião e Estado.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lideranças regionais divulgaram manifestações e vídeos voltados ao voto consciente. A entidade mantém a posição formal de não indicar partidos ou candidatos, mas o presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, afirmou que a mistura intencional entre religião e política não produz resultados positivos.

Vídeos de bispos do Regional Norte 1, que reúne Amazonas e Roraima, também advertiram os fiéis contra a manipulação religiosa associada a pedidos de voto em nome de Deus. Nas mensagens, os religiosos disseram que as igrejas não são currais eleitorais.

Debate sobre Nossa Senhora Aparecida

Setores da Igreja Católica interpretam a proposta de Flávio como uma ameaça ao status de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira oficial do Brasil. A avaliação considera a possibilidade de que símbolos católicos reconhecidos por lei federal percam espaço institucional em um eventual governo alinhado à chamada Teologia do Domínio, corrente que defende a ocupação das esferas de poder por cristãos evangélicos.

Há um precedente legislativo citado nesse debate. Em 2007, o então deputado e pastor Victorio Galli apresentou o Projeto de Lei 2623, que pretendia limitar o título de Nossa Senhora Aparecida a “Padroeira dos brasileiros católicos”. A proposta não avançou naquele momento.

A reação católica também é relacionada a episódios de hostilidade contra imagens sacras. Em 1995, o bispo Sérgio Von Helde protagonizou, na TV Record, o episódio conhecido como “chute na santa”. Em outubro de 2023, o pastor Sérgio Fernandes, de Bastos (SP), criticou a instalação de um monumento a Nossa Senhora Aparecida na entrada da cidade.

Também foram registrados por autoridades policiais casos de depredação de paróquias e destruição de imagens sacras em São Paulo e no Paraná. As ocorrências foram enquadradas como crime de ultraje a culto, previsto no Artigo 208 do Código Penal. Para a Igreja Católica, esse histórico reforça a preocupação com os efeitos políticos e culturais da proposta apresentada pelo candidato.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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