Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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PF aponta busca por influenciadores para defender o Banco Master

Documentos e depoimentos indicam que uma agência procurou perfis de direita para questionar a liquidação do banco pelo Banco Central.

Agência encontrou nas redes de Flávio influenciador para defender o Master
Foto: Daniel Ramalho/AFP;Divulgação

Documentos da investigação da Polícia Federal indicam que uma agência mapeou as redes sociais de Flávio Bolsonaro (PL) para localizar influenciadores de direita que pudessem defender o Banco Master. A estratégia incluía questionar a liquidação da instituição pelo Banco Central e defender uma intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU).

A abordagem foi relatada pelo vereador de Erechim (RS) Rony de Assis Gabriel, candidato a deputado federal pelo Podemos e influenciador de direita. As mensagens foram preservadas em ata notarial e também integram o depoimento prestado por ele à PF.

Proposta apresentada a Rony de Assis Gabriel

O acordo de confidencialidade enviado ao assessor do vereador identificava a empresa UNLTD Network Brazil Ltda. O documento dava à iniciativa o nome de Projeto DV. O contato foi feito por André Silva Salvador, que assinou o acordo em nome da agência.

Em 20 de dezembro de 2025, Salvador escreveu que a empresa monitorava as redes de Flávio Bolsonaro e havia encontrado o perfil de Rony em publicações. Depois, afirmou que a proposta seria para um trabalho de gerenciamento de reputação e gestão de crise relacionado a um grande executivo.

Segundo a conversa registrada em cartório, Salvador disse que a agência contratava perfis para atuar em uma disputa política contra o sistema. De acordo com Rony, o interlocutor revelou em reunião que o cliente era Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Rony afirmou ter mais de dois milhões de seguidores no Instagram e cerca de 100 milhões de visualizações mensais em conteúdos políticos. Ele disse à PF que costuma comentar nas redes de Flávio, o que poderia explicar a identificação de seu perfil.

O vereador recusou a proposta antes de negociar valores ou assinar contrato de prestação de serviços. Seu assessor chegou a assinar o acordo de confidencialidade, que teria previsto multa de R$ 800 mil. Conforme o relato, Salvador mencionou uma verba que poderia gerar remuneração milionária, mas não houve negociação do valor.

Entre os exemplos apresentados pela agência estavam publicações de Paulo Cardoso, do Cardoso Mundo; Marcelo Rennó; André Janeiro Dias; Carol Dias; e da página Alfinetei. Rony afirmou que havia um roteiro, mas que cada influenciador poderia adaptar a forma de apresentação.

Outra proposta e levantamento da PF

A jornalista e influenciadora Juliana Moreira Leite também contou à PF que recebeu, pelo Instagram e pelo WhatsApp, uma proposta de contrato de três meses feita por Júnior Favoreto. O interlocutor disse que ela poderia definir o próprio preço, exigiu acordo de confidencialidade e enviou conteúdo que questionava a liquidação do Banco Master.

Quando Juliana perguntou quem era o cliente e qual seria o conteúdo, Favoreto encaminhou uma publicação que colocava em dúvida a atuação do Banco Central. Depois, pediu o media kit e os valores cobrados pela jornalista. Ela respondeu que não estava disponível para publicar sobre o banco. A conversa terminou sem a identificação expressa do contratante, e Juliana disse à PF que não poderia atribuir a proposta a uma pessoa ou empresa específica.

A jornalista relatou ainda ter observado outros influenciadores de direita divulgando conteúdos semelhantes. Em relatório, a PF identificou 22 perfis do Instagram com publicações próximas no tempo e questionamentos sobre a atuação do Banco Central no caso.

O levantamento menciona, entre outros, os perfis de Luiz Bacci, Marcelo Rennó, Paulo Cardoso, Carol Dias, André Janeiro Dias, Garoto do Blog, Wes Gossip, Rainha Matos, Exclusivas da Fama, Futrikei, Fofoquei, Fofocas, Vem Me Buscar Hebe, Bomba dos Artistas, Tricotei, Alfinetada, Alfinetei, Focalizando Notícias, Tuitteiros, Queirônica, Alfinetada Online e Diferentona.

A PF associou oito desses perfis à Deubuzz e quatro ao Grupo Farol. Diferentona aparece relacionado aos dois grupos. O mapeamento registra a proximidade e a semelhança das publicações, mas não comprova que todos os perfis tenham sido procurados, contratados ou pagos por uma agência.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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