Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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PF aponta suspeitas em emenda de Flávio ligada a projeto de futebol no Rio

Assessora do senador manteve conversas com Robson Calixto, condenado por envolvimento na morte de Marielle Franco, sobre a liberação de R$ 199 mil.

Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano condenado no caso Marielle
Foto: Reprodução

A Polícia Federal identificou indícios de desvios na destinação de R$ 199 mil em emenda parlamentar de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio de Janeiro. A liberação foi tratada, em 2023, por uma assessora do senador com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).

Calixto mantinha conversas com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora de Flávio. As mensagens foram obtidas pela Polícia Federal a partir de um celular apreendido em março de 2024, durante uma ação relacionada ao caso Marielle. Nos diálogos, o miliciano pede ajuda ao senador para o projeto e encaminha um e-mail ou ofício após solicitação da assessora.

“Amiga vê com o nosso Senador se consegue [sic] nos ajudar”, escreveu Calixto. Em outra conversa, ele pergunta se Flávio poderia ajudar durante uma ida a Brasília. As tratativas continuaram até março de 2024, com cobranças sobre a liberação dos recursos e pedidos para que o senador não esquecesse o Ifop.

A entidade beneficiária fica no bairro Taquara, área de influência de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão. Os dois foram condenados pelo STF em fevereiro como mandantes da morte de Marielle e por chefiarem uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro. Calixto recebeu pena de 9 anos de reclusão por integrar o grupo.

Mensagens e resposta do senador

Em 22 de março de 2024, Calixto escreveu que havia consultado as destinações parlamentares e não encontrado recursos do senador para o projeto. Em outra troca, Maria de Fátima convidou o assessor de Chiquinho Brazão para uma cerimônia de entrega de coletes à Polícia Militar do Rio e sugeriu que ele cobrasse Flávio pessoalmente pela liberação da verba.

A assessora também pediu a Calixto quatro ingressos para o desfile das campeãs no camarote Arpoador, solicitação classificada pelos investigadores como vantagem indevida.

A assessoria de Flávio afirmou que os repasses foram feitos dentro da lei e seguiram critérios técnicos do Ministério do Esporte. Disse ainda que a entidade apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. Segundo a manifestação, a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária e eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

A Polícia Federal investiga suspeitas de desvios em emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais no Rio. A apuração considera possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de pagamentos indevidos, uso de empresas interpostas e mecanismos para ocultar a origem e o destino dos valores.

O advogado de Robson Calixto, Gabriel Habib, não respondeu aos contatos. A defesa de Chiquinho Brazão informou que não se manifestaria, enquanto os advogados de Domingos Brazão disseram não cuidar do tema relacionado às emendas.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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