A chegada de Kassio Nunes Marques ao Supremo Tribunal Federal, em 2020, foi articulada por aliados de Jair Bolsonaro e pelo senador Flávio Bolsonaro, segundo os nomes e relações descritos no processo de indicação. O ministro ocupou a vaga aberta com a saída de Celso de Mello. Na época, Kassio era desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Flávio Bolsonaro tinha interesse direto na composição do Supremo enquanto era investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no caso das chamadas “rachadinhas”. A apuração tratava de suspeitas de apropriação de parte dos salários de assessores de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Aproximação política
A relação entre Kassio e Flávio teria começado antes da indicação ao STF. Maria do Carmo Cardoso, desembargadora federal e colega de Kassio no TRF-1, era próxima da família Bolsonaro e foi apontada como responsável por apresentar o magistrado ao filho do então presidente.
O advogado Frederick Wassef, que atuava na defesa da família Bolsonaro, também foi citado na aproximação. Relatos divulgados na época indicaram que ele ajudou a conectar Kassio ao grupo político quando o desembargador ainda buscava uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A escolha alimentou, entre aliados de Flávio, a expectativa de que a presença de um ministro alinhado ao grupo pudesse favorecer os interesses da família Bolsonaro em processos no Supremo. Críticos afirmaram que a nomeação poderia funcionar como uma forma de proteção ao senador.
A indicação também passou pelo senador Ciro Nogueira, do PP-PI, que participou da articulação para a aprovação no Senado. O movimento foi interpretado como parte da aproximação de Bolsonaro com partidos do chamado Centrão.
Durante a tramitação, Nunes Marques rejeitou a existência de “apadrinhamento”. Ele declarou que sua trajetória jurídica havia motivado a escolha e afirmou que exerceria o cargo com independência.








