Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Política

Instituto ligado à produtora de filme sobre Bolsonaro teve tesoureiro só no papel

Jacio Dantas aparece em atas do ICB por seis anos, mas diz que nunca exerceu a função; documentos também mostram divergências em assinaturas.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, teve um tesoureiro que afirma nunca ter exercido a função. O eletricista Jacio de Medeiros Dantas aparece em atas como tesoureiro-geral entre 2014 e 2021, além de figurar como secretário de assembleias, mas declarou que apenas emprestou o nome para a organização.

Dantas disse que aceitou o pedido feito pela mãe de Karina, Regina Ferreira da Gama de Nazaré, quando a empresária montava uma ONG para um projeto de dança. Segundo ele, não participou de assembleias, reuniões ou outras atividades do instituto. Mesmo assim, seu nome aparece em listas de presença, e as assinaturas atribuídas a ele variam entre diferentes documentos.

Divergências em atas e registros

Em documentos do ICB, a assinatura atribuída a Dantas na reunião de 29 de setembro de 2014, quando Karina foi eleita presidente, apresenta semelhanças com a rubrica usada em uma reforma estatutária de 2015. Já as assinaturas presentes em uma ata de 2 de outubro de 2017 e na carta de renúncia de janeiro de 2020 são diferentes.

Após receber imagens das rubricas, Dantas afirmou que nenhuma delas era sua. A comparação com documentos públicos e com um processo judicial em que ele é parte também apontou diferenças entre as assinaturas atribuídas ao eletricista.

Outros dois integrantes da direção aparecem em situação semelhante. Rafael Tadeu da Silva Santanna, que teria sido secretário-geral de 2014 a 2017, tem uma assinatura na ata de 2017 que diverge da registrada no documento de 2014 e de duas rubricas encontradas em um processo judicial. A assinatura de Karina Pereira Penha na ata de 2017 também não coincide com a de uma procuração assinada em janeiro de 2023.

Santanna afirmou ter ficado surpreso com as divergências e disse não se lembrar de ter assinado atas ou documentos. Depois de receber cópias das assinaturas, não respondeu novamente. Karina Penha confirmou que trabalhou no ICB, mas não respondeu aos questionamentos sobre as rubricas e o período em que ocupou o cargo.

Contratos e investigações

Em 2024, o ICB assinou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Ricardo Nunes, do MDB, para instalar Wi-Fi público na capital. A Polícia Civil de São Paulo investiga o acordo por suspeitas de irregularidades.

A Polícia Federal também apura o desvio de recursos de emendas parlamentares para o instituto. Entre os repasses investigados estão R$ 2 milhões enviados pelo deputado federal Mario Frias, do PL, roteirista e produtor-executivo do filme “Dark Horse”.

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União concluiu que o ICB desviou recursos do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria em sete estados e no Distrito Federal. Dos R$ 11 milhões recebidos pelo instituto, ao menos R$ 2,4 milhões teriam sido superfaturados, segundo a CGU.

Desde 2014, 12 pessoas ocuparam funções como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Entre elas estava Regina Ferreira da Gama de Nazaré, que foi vice-presidente do ICB entre setembro de 2014 e setembro de 2017, ao lado da filha.

O ICB e Karina Ferreira da Gama foram procurados, mas não responderam. O instituto é ligado à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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