SÃO JOSÉ DOS PINHAIS — A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, acompanhou a chegada do primeiro grupo da segunda fase do Programa Mais Médicos ao Paraná. Os profissionais atuarão em postos que não atraíram médicos formados no Brasil. Gleisi é apontada como pré-candidata do PT ao governo do Estado em 2014.
O grupo recebido no Aeroporto Internacional Afonso Pena tinha 19 médicos. Outros profissionais desembarcam entre hoje e segunda-feira, totalizando Setenta e seis médicos intercambistas no estado. Eles passaram por três semanas de avaliações em universidades federais, com testes de língua portuguesa e dos protocolos de atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS).
Antes de começar o atendimento, os médicos farão um período de aclimatação e conhecerão as unidades em que vão trabalhar. O início do atendimento ao público está previsto para 4 de novembro.
Municípios e estrutura
Os profissionais serão distribuídos entre 18 municípios paranaenses. A relação inclui cidades das regiões metropolitana de Curitiba, Norte, Oeste e Centro-Sul do estado, entre elas Curitiba, Londrina, Cambé, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Piraquara e São Miguel do Iguaçu.
Também receberão médicos Araucária, Campo Largo, Colombo, Fazenda Rio Grande, Guairá, Jataizinho, Lapa, Marechal Cândido Rondon, Santa Helena, Sarandi e Tunas do Paraná.
Felipe Proença, coordenador do Mais Médicos no Ministério da Saúde, afirmou que os municípios contemplados também recebem novos investimentos em saúde. Segundo ele, o programa tem foco na atenção básica, área que concentra a resolução de 80% dos problemas de saúde. Proença disse ainda que as comunidades terão estrutura para o trabalho dos profissionais.
Críticas ao programa
Gleisi rebateu a avaliação de que o Mais Médicos seria uma medida eleitoreira anunciada após os protestos de junho deste ano. A ministra afirmou que o programa começou a ser estruturado no início de 2012, depois de uma avaliação sobre a necessidade de ampliar as vagas dos cursos de Medicina.
Ela disse que a estrutura de saúde brasileira comporta 11 mil novas vagas, mas que a formação dos profissionais leva oito anos. Por isso, segundo Gleisi, foi necessário criar uma alternativa para o período de falta de médicos.
Sobre os profissionais cubanos, contratados por meio de convênio com a Organização Pan-americana de Saúde, a ministra afirmou desconhecer o valor exato repassado a eles. Gleisi disse que esses médicos mantêm vínculo com o governo de Cuba e que a questão salarial é tratada entre os profissionais e o governo cubano. A remuneração oferecida pelo governo brasileiro é de R$ 10 mil.
A ministra também declarou que percebe mudança na posição dos médicos brasileiros em relação ao programa. Segundo ela, os intercambistas não vão retirar empregos nem competir com os profissionais do país.
O pediatra argentino Ricardo Helmfelt afirmou que considera natural a resistência inicial dos médicos brasileiros. Com 30 anos de carreira, ele disse ter ingressado no programa em busca de um novo desafio e para trocar experiências com outros profissionais.








