A crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a preocupar o governo e a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. No Palácio do Planalto, a avaliação é que Alexandre de Moraes e André Mendonça estão em um confronto que exige a intervenção do presidente da Corte, Edson Fachin.
Lula vê com bons olhos a possibilidade de Fachin assumir as relatorias das investigações sobre as irregularidades do Banco Master e os desvios de aposentadorias do INSS, atualmente sob responsabilidade de Mendonça. A mudança também poderia permitir a Fachin encerrar o inquérito das fake news, aberto por Moraes em 2019, durante o governo Bolsonaro. Não há consenso entre os ministros sobre a proposta.
Fachin conversou com Lula sobre o tema em 7 de Setembro. Segundo o relato, afirmou que trabalhava sete dias por semana e ouvia os demais ministros em busca de um entendimento para preservar a imagem do STF.
Decisão sobre a Polícia Federal
A crise ganhou novo contorno depois que Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. O ministro alegou que a PF produziu um relatório de inteligência clandestino, com informações sobre alvos específicos, incluindo ele próprio, para distorcer fatos relacionados às investigações em andamento.
Lula convocou duas reuniões de emergência com ministros em 8 para tratar do episódio e também se reuniu com coordenadores da campanha para discutir estratégias. Por orientação do presidente, o advogado-geral da União, Jorge Messias, recorreu do afastamento de Andrei e encaminhou o pedido a Fachin. A argumentação foi de que a decisão violou a competência privativa do chefe do Executivo para indicar o diretor-geral da corporação.
A Segunda Turma do STF tem maioria para manter o afastamento, mas Gilmar Mendes pediu mais tempo para analisar o caso. O julgamento está suspenso.
Uma ala do PT defende que Lula faça um novo pronunciamento, em tom mais duro que o da semana anterior. Na ocasião, ele defendeu uma reforma política e do Judiciário e afirmou que as investigações deveriam ocorrer “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”. Por enquanto, Edinho Silva, presidente do PT, concentra as críticas nas ligações do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Conselho da República divide o PT
A sugestão de convocar o Conselho da República para enfrentar a crise no STF provocou divergências internas no PT. A ideia foi apresentada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, mas dirigentes do comitê consideraram que a medida levaria o impasse ao Palácio do Planalto.
Marco Aurélio afirmou que a crítica era precipitada porque a proposta ainda não havia sido apresentada a Lula: “Era apenas uma ideia para buscar uma saída dentro da institucionalidade”. O Conselho da República é um colegiado de assessoramento do presidente para situações de crise institucional.
Pesquisas e monitoramentos de redes sociais analisados pelo Planalto indicam que o episódio afeta a candidatura de Lula. Os levantamentos mais recentes de intenção de voto apontam empate entre Lula e Flávio nas simulações de segundo turno.
Nos bastidores, a equipe petista classifica Mendonça como um agente político do bolsonarismo, mas os coordenadores da campanha não pretendem criticá-lo publicamente nem defender Moraes. Interlocutores do presidente dizem não ter como explicar as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.








