Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Carbono Oculto mira operador de Vorcaro e executivos do Banco Genial

Terceira fase da operação investiga lavagem de dinheiro ligada à compra da distribuidora Terrana e remessas para fundo que financiou filme sobre Bolsonaro.

Operador de Vorcaro em Dark Horse e diretores do banco Genial são alvos da nova fase da Carbono Oculto
Foto: Divulgação Entre/Divulgação Banco Master

Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” e apontado como operador de Daniel Vorcaro, está entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação também mira Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, e os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá.

Deflagrada nesta quinta-feira (24), a operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal. A fase recebeu o nome de “Crédito Oculto”.

Freixo Júnior confirmou, em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, ter feito sete remessas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. Os repasses totalizaram US$ 12,3 milhões em 2025 e, segundo o delator, foram realizados a pedido de Vorcaro. O fundo financiou o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Buscas em sete estados

Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. As ordens foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Catanduva.

Também participam da operação a Procuradoria-Geral do Estado, a Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo e as polícias Civil e Militar.

O foco da investigação é um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado à compra da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. O GAECO aponta Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, como líderes da estrutura. Os dois são apontados como chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Além dos executivos do Banco Genial, os principais alvos são Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, e os irmãos Tupinambá. Nesta fase, a investigação concentra-se em pessoas com atuação em bancos e fundos de investimento, que, segundo o Ministério Público, teriam participado da estruturação financeira do esquema.

Remessas para o fundo Havengate

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que Freixo Júnior era descrito em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como “pioneiro nas Bahamas”, em referência a estruturas offshore que ele teria montado no país.

Em documento usado para pedir uma investigação específica sobre o financiamento de Dark Horse, a PF afirmou que Freixo não tinha perfil de intermediário financeiro convencional. A existência das estruturas offshore, por si só, não foi apontada como crime no documento.

O fundo Havengate era sediado nos Estados Unidos e administrado por Paulo Calixto, apresentado como próximo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A confirmação das transferências por Freixo Júnior foi registrada em sua delação à PGR.

Freixo também é delator no âmbito das investigações sobre o Caso Master e, ao mesmo tempo, alvo de buscas na Carbono Oculto. As remessas ao Havengate, conforme seu relato, não partiram de iniciativa própria, mas foram feitas após solicitação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Estrutura usada na compra da Terrana

O GAECO afirma que o grupo teria criado fundos e empresas para viabilizar a aquisição da distribuidora. Entre as estruturas citadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda.

Mais de R$ 120 milhões teriam circulado por empresas usadas como contas de passagem, incluindo Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi. De acordo com o Ministério Público, os recursos passaram por diferentes empresas antes de chegar à estrutura responsável pela compra da Terrana.

A base da investigação reúne relatórios do Coaf, documentos bancários, informações obtidas junto ao Banco Genial, análise de movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores.

O material recolhido na nova etapa será analisado pelos investigadores. A posição das defesas do Banco Genial, da Entre Investimentos e da Terrana não havia sido divulgada até o fechamento das informações.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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