TEL AVIV — O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o copiloto de um voo da FlyDubai esfaqueou o comandante, tentou assumir o controle da aeronave e aparentemente buscou derrubá-la durante a viagem para Tel Aviv. O ataque ocorreu na quarta-feira, e o avião levava 182 pessoas.
Os Emirados Árabes Unidos, responsáveis pela investigação, informaram que o copiloto atacou o comandante com o machado de emergência da cabine e colocou a aeronave em mergulho. O comandante, um indiano, conseguiu abrir a porta da cabine. Passageiros e outros tripulantes entraram no local, imobilizaram o agressor e ajudaram a recuperar o controle do avião.
Informações compartilhadas antes do voo
Autoridades regionais disseram neste domingo, 4, que os Emirados Árabes Unidos haviam enviado a Israel informações sobre passageiros e tripulantes, incluindo suas nacionalidades. Ainda assim, nenhum alerta foi emitido por Israel sobre integrantes da aeronave.
As autoridades também afirmaram que o copiloto, cidadão de Omã, havia sido proibido de voar pelo próprio país por causa de preocupações relacionadas a suas visões extremistas. Omã não mantém relações diplomáticas com Israel. As circunstâncias que permitiram a autorização do piloto para operar um voo com destino a Tel Aviv continuam sem esclarecimento.
O caso provocou questionamentos sobre os procedimentos de segurança e a troca de responsabilidades entre órgãos israelenses. O Shin Bet declarou que cabe ao Ministério dos Transportes verificar as listas de passageiros de voos internacionais. A ministra Miri Regev disse à emissora pública Kan que a segurança dos voos é responsabilidade das agências de segurança e que o ministério não recebeu a lista nem qualquer aviso.
Na quinta-feira, Netanyahu afirmou que Israel mantém acordos antigos com companhias aéreas estrangeiras para impedir que pilotos de países sem relações diplomáticas com o país voem para seu território. Também não foi esclarecido como a FlyDubai, empresa aérea de baixo custo dos Emirados, não identificou o copiloto omanense como risco à segurança.
Philip Baum, professor visitante de segurança da aviação na Universidade de Coventry e autor de um livro sobre sequestros e atentados em aeronaves, disse que as verificações de antecedentes variam entre os países e enfrentam limitações, sobretudo quando envolvem informações transfronteiriças.








