O Papa Leão XIV condenou a legalização da morte assistida por meios médicos durante uma visita a Lourdes, na França, neste domingo, 27. Em missa para cerca de 150 mil pessoas, o pontífice afirmou que a dignidade humana não pode ser eliminada por leis ou algoritmos e reforçou a oposição católica à eutanásia, ao aborto e à morte assistida.
“Pelo contrário, é precisamente em nome dessa dignidade inalienável da pessoa humana que devemos rejeitar a tentação de provocar a morte sob o pretexto de uma falsa compaixão”, afirmou Leão. Em seguida, disse que o que é legal não é necessariamente moral.
Lourdes é um santuário católico associado a curas milagrosas e recebe peregrinos doentes e pessoas com deficiência. O local se tornou destino de peregrinação depois que a Igreja reconheceu as visões da Virgem Maria relatadas por uma jovem em 1858. Segundo a Igreja, 72 curas foram reconhecidas como autênticas.
Mensagem sobre a vida e a crise de abusos
Durante a celebração, realizada no gramado ao lado da basílica principal, muitas pessoas acompanharam a missa em cadeiras de rodas. Depois, Leão visitou um centro de assistência a enfermos nas dependências do santuário. Na homilia, afirmou que muletas, cadeiras de rodas e lágrimas não são obstáculos, mas lugares de acolhimento e respeito.
O papa chegou a Lourdes vindo de Paris na noite do sábado, 26. Na cidade, rezou na Gruta das Aparições e bebeu da água da fonte. Sua visita à França foi marcada por mensagens contra o aborto e a morte assistida. Em Paris, 800 mil pessoas participaram da missa celebrada na Place de la Concorde.
Leão também deveria se reunir com sete sobreviventes de abusos sexuais cometidos por integrantes do clero, incluindo uma pessoa abusada na idade adulta. Um relatório independente de 2021 estimou que 330 mil crianças foram vítimas de abusos ao longo de 70 anos, praticados por cerca de 3 mil padres e funcionários da Igreja na França.
Os bispos franceses criaram um sistema independente de indenização. Até o momento, foram recomendados pagamentos superiores a € 20 milhões (R$ 118,5 milhões). Em reunião com os bispos, Leão elogiou a resposta às vítimas e pediu continuidade das medidas. O monsenhor Pierre-Antoine Bozo afirmou que o grupo reduzido permitiria um encontro mais íntimo.
Mosaicos cobertos em basílica
Em Lourdes, o papa também passou diante de mosaicos produzidos pelo Reverendo Marko Rupnik, artista acusado por mais de duas dezenas de mulheres de abusos psicológicos, espirituais e sexuais desde a década de 1990. O caso é analisado por um tribunal do Vaticano.
A fachada da Basílica Notre Dame du Rosaire, que exibia obras de Rupnik, foi coberta em 2025 por decisão do bispo de Lourdes, Jean-Marc Micas. As imagens estavam escondidas por cortinas cor de mostarda fixadas com abraçadeiras de plástico.
Cinco mulheres que afirmam ter sido abusadas por Rupnik elogiaram a decisão de cobrir os mosaicos, mas criticaram a condução do caso pelo Vaticano e o tempo levado para que fossem ouvidas. Em carta ao papa, elas disseram: “Esse silêncio prolongado e ruidoso foi vivenciado por nós, as vítimas, como uma violência adicional e contínua”.








